Com o uso cada vez maior da internet para transações financeiras e focadas em aumentar sua competitividade em relação a bancos digitais, as grandes instituições financeiras fecharam pelo menos 2,5 mil caixas eletrônicos no último ano como consequência do fim de centenas de agências físicas.

Os dados, pesquisados pelo 6 Minutos nos balanços do terceiro trimestre, não incluem os números da Caixa, que ainda não publicou seu resultado.

As demonstrações financeiras mostram ainda que a quantidade de pontos de atendimento do Banco24 Horas, rede controlada pelos cinco grandes do setor (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa), aumentou em pouco mais de 760 no período.

Ou seja, não compensou o elevado fechamento de caixas da rede própria dos bancos, ainda que o número aponte que a tendência é que os “bancões” usem , cada vez mais, a rede compartilhada de autoatendimento como forma de reduzir custos.

Quais as razões para o fechamento de tantos caixas eletrônicos e aumento do Banco 24Horas? Em primeiro lugar, o maior uso da internet pelo cliente para fazer transações vem levando os grandes players do setor a fecharem muitas agências físicas, que possuem pontos de autoatendimento.

Os balanços do terceiro trimestre mostram que, entre o terceiro trimestre de 2018 e o mesmo período deste ano, mais de 700 agências fecharam as portas.

Além disso, os “bancões” se deram conta de que precisam reduzir custos para se manter competitivos em um cenário de entrada de bancos digitais e fintechs (startups do setor financeiro) no mercado.

Nesse contexto, o uso da rede compartilhada do Banco24 Horas permite dividir despesas. “Há muitos custos envolvidos no transporte do dinheiro até os caixas. Usar o Banco24Horas significa dividir as despesas do carro forte e da segurança para abastecer os pontos de autoatendimento”, aponta Luis Miguel Santacreu, especialista em bancos da consultoria Austin Rating.

Esse processo deve se intensificar? Sim, o enxugamento de agências físicas não vai parar por aí, muito pelo contrário. Em teleconferência no final do mês passado, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse que o segundo maior banco privado fechará outras 150 agências já neste ano. Disse ainda que, no ano que vem, outras 300 deixarão de existir.

Segundo o executivo, o fechamento faz parte de um esforço para conter as despesas operacionais, que afetaram os ganhos do terceiro trimestre. O Itaú Unibanco também anunciou o fechamento de 400 agências ainda neste ano.

“Por um tempo, os grandes bancos sustentaram a defesa da importância das agências físicas. Mas esse discurso mudou no último ano”, observa Santacreu, da Austin Rating.

Você pode detalhar os números por banco? Vamos lá. O banco que mais fechou caixas eletrônicos (1.193) e agências (463) entre o terceiro trimestre deste ano e mesmo período do ano passado foi o Banco do Brasil.

O Bradesco encerrou as atividades de 1.110 pontos de autoatendimento e de 85 agências físicas.

No caso do Itaú Unibanco, não é possível saber o número exato, já que o banco só informa o número somado de caixas próprios e da rede compartilhada. De qualquer forma, é possível inferir que o banco fechou centenas de pontos de autoatendimento, já que o número total se reduziu em 369, mesmo com o aumento no número de caixas compartilhados do Banco24 Horas.

O Santander fechou 205 caixas eletrônicos no último ano. No caso de agências, o banco está na contramão do mercado: abriu 41 delas no período. A razão é que a instituição financeira está em um processo de interiorização, ou seja, vem abrindo agências em cidades pequenas, onde ainda não tem atuação.

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