A dificuldade da economia em reagir e a inflação abaixo da meta levaram o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) a cortar novamente a taxa de juros básica da economia, a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 5,5% ao ano.

A decisão, que foi tomada por unanimidade, era amplamente esperada pelo mercado, já que havia sido sinalizada pelo comitê tanto no comunicado quanto na ata da última reunião: na ocasião, o Banco Central cortou a taxa de 6,5% para 6% ao ano.

No comunicado, o BC indicou que se o cenário positivo para a inflação se mantiver, um novo corte será feito na próxima reunião. “O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”, disse o documento.

Por que o BC voltou a reduzir os juros? Há alguns pontos que pesaram na decisão do comitê. Veja abaixo:

  • A inflação está bastante controlada: a expectativa dos analistas de mercado ouvidos pelo BC semanalmente no boletim Focus é que o IPCA, índice oficial de inflação, esteja em 3,45% no final deste ano e em 3,8% no final de 2020. O centro da meta para a variação de preços é de 4,25% neste ano e 4% no ano que vem (o teto da meta para os dois anos é de 5,75% e 5,5%, respectivamente).
  • A economia está reagindo muito devagar: segundo o Focus, a expectativa é que o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano cresça apenas 0,87%, bem abaixo do que era esperado no início do ano. Com a economia mais fraca, há menos demanda e, portanto, é menor risco de a inflação aumentar.
  • A reforma da Previdência está caminhando: as mudanças na aposentadoria foram aprovadas na Câmara, e a expectativa é que não encontrem obstáculos mais sérios no Senado. A reforma é pré-condição para que a economia volte a crescer de forma sustentada e para que o governo reequilibre as suas finanças e possa voltara investir.

Por que isso é importante? A Selic é a taxa de referência para o custo do dinheiro, como empréstimos. Quanto menor o patamar dessa taxa, maior a tendência de que os financiamentos para consumidores e empresas fiquem mais baratos, o que estimula a economia. Os cortes, entretanto, muitas vezes demoram para chegar na ponta e, quando chegam, isso não acontece integralmente.

E para os investimentos, qual o impacto? A Selic tem tudo a ver com a rentabilidade de parte dos investimentos e com as taxas de juros cobradas nos financiamentos. No caso das aplicações, a Selic referencia o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que serve de base para o retorno das aplicações de renda fixa. Um corte da Selic reduz o CDI, o que também comprime o rendimento dos investimentos. Ou seja: menos dinheiro no seu bolso.

A rentabilidade de investimentos em renda fixa vai se reduzir? É inevitável: se você aplica em Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA, CRI, CRA, fundos de investimento (em renda fixa) e até mesmo na poupança, o corte na Selic vai diminuir sua rentabilidade nos próximos meses.

Quer saber mais? O 6 Minutos preparou um guia sobre como a decisão afeta a sua vida, leia aqui.

 

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