Como esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, manter nesta quarta-feira (dia 20) a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 2% ao ano. Por outro lado, retirou sua sinalização de forward guidance, instrumento implementado na reunião de agosto do ano passado como uma sinalização de que manteria os juros estáveis (ou seja, baixos) no futuro.

Ao mesmo tempo, o comitê indicou, no comunicado da decisão, que essa retirada não implica em aumento automático de juros nas próximas reuniões. A opção por deixar de se guiar pelo forward guidance foi tomada em um momento em que o mercado vem aumentando suas projeções para a atividade econômica e para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mas dentro da meta para a variação de preços prevista para este ano.

Para alguns economistas, apesar da ressalva feita pelo BC, a retirada do instrumento indica que a taxa Selic deve subir já na próxima reunião, em março.

“Segundo o forward guidance adotado em sua 232ª reunião, o Copom não reduziria o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas”, afirmou o Copom no comunicado. “Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária”.

As projeções dos analistas

No último boletim Focus, os analistas do mercado financeiro ouvidos pela pesquisa semanal elevaram as projeções tanto para o crescimento econômico quanto para a inflação neste ano. Segundo o levantamento semanal, a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) subiu de 3,41%, na semana anterior, para 3,45%.

A mudança ocorre na esteira da melhora do cenário para a produção industrial, cujo aumento projetado para 2021 passou a ser de 5% (era de 4,78% anteriormente). Já a perspectiva para a inflação para este ano passou a 3,43%, de 3,34% no levantamento anterior.

Mesmo assim, as expectativas são de que a variação de preços se manterá dentro do centro da meta oficial, que é de 3,75% para 2021, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para os analistas ouvidos pelo Focus, a taxa básica de juros terminará o ano em 3,25%.

 

 

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