Em uma tentativa de estimular a economia brasileira, gravemente afetada pela pandemia do coronavírus, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou nesta quarta-feira (dia 17) a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano.

No comunicado que acompanha a decisão, o comitê afirmou que, pelo cenário atual, acredita que não haverá necessidade de mais reduções nos juros básicos, mas deixou a porta aberta para um novo corte, de menor tamanho, se necessário.

“Neste momento, o comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19”, disseram os membros do Copom, que fizeram a ressalva de que continuará avaliando os efeitos negativos da pandemia.

“Para as próximas reuniões, o comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”.

A decisão, que foi unânime, correspondeu às expectativas da maior parte dos analistas de mercado, e já havia sido indicada pelo próprio comitê no comunicado da reunião anterior, no início de maio.

Com o corte, o BC espera estimular o PIB (Produto Interno Bruto), que deve cair 6,5% neste ano por causa das medidas de isolamento social, na avaliação de analistas ouvidos pelo boletim Focus.

A medida foi tomada em um contexto em que a inflação, objetivo central da política monetária, não representa nenhum risco por causa da forte queda de demanda: o Focus espera que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre o ano em 1,6% –a meta para o ano é de 4%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Como a redução da taxa básica de juros impacta a atividade? O impacto mais imediato é sobre as aplicações financeiras.

A decisão faz com que os juros reais passem a ser negativos no Brasil. Ou seja, considerando-se a inflação do período, o investidor inclusive perderá dinheiro se o seu investimento em renda fixa seguir a rentabilidade dos títulos públicos.

Um outro efeito é o barateamento do crédito, o que estimularia investimentos do setor privado e também o consumo das famílias. Entretanto, dado o tamanho da crise econômica provocada pela quarentena, há dúvidas sobre o limite da política monetária.

Para o o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o principal beneficiado será o crédito imobiliário.

“Mas para consumo de bens duráveis, como carros, por exemplo, as taxas já eram relativamente baixas e ajudam menos nesse sentido. O problema é que, mesmo com taxas tão baixas, as condições da economia não são normais. A severa crise trazida pelo coronavirus, adicionada à crise política que também não vai acabar tão cedo, nos leva a crer a demanda seguirá muito fraca”.

Por fim, juros menores reduzem a dívida pública, que é emitida pelo Tesouro para financiar o deficit orçamentário do governo federal (ou seja, para pagar gastos que ficam acima da receita com tributos).

E qual o impacto sobre o dólar? A decisão coloca pressão sobre a cotação da moeda americana.

Isso porque uma Selic ainda mais baixa torna o país menos atraente para investimentos estrangeiros em renda fixa. Isso acaba sendo um estímulo para a desvalorização do real.

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