A balança comercial brasileira deve registrar avanço de 3,9% em seu saldo superavitário em 2021, a US$ 53 bilhões, ante o registrado no ano passado, de US$ 51 bilhões, informou o Ministério da Economia nesta segunda-feira, em um cenário que contempla um crescimento do PIB entre 3,2% a 3,8%.

De acordo com o secretário do Comércio Exterior do ministério, Lucas Ferraz, as exportações devem crescer 5,3%, a US$ 221,1 bilhões, bem como as importações, com avanço de 5,8%, a US$ 168,1 bilhões, resultando em um aumento percentual de 5,5% da corrente de comércio na comparação a 2020, a US$ 389,2 bilhões.

A balança comercial brasileira fechou 2020 com superávit de US$ 50,995 bilhões, avanço de 6,2% em termos de valor sobre 2019, em um ano atípico marcado pela interrupção de atividades econômicas em decorrência da propagação da pandemia da Covid-19 ao redor do globo, impactando cadeias produtivas.

O saldo no agregado do ano foi o terceiro maior com base na série histórica iniciada em 1989, estando atrás apenas dos valores registrados nos anos de 2017 (US$ 66,9 bilhões) e 2018 (US$ 58,03 bilhões). A última previsão feita pelo Ministério da Economia para a balança era de que ela ficaria positiva em US$ 55 bilhões em 2020.

No acumulado do ano passado, as exportações somaram US$ 209,9 bilhões, queda de 6,1% em comparação pela média diária com o ano passado. As importações também registraram recuo, de 9,7%, somando US$ 158,9 bilhões, resultando em uma queda da corrente de comércio em 2020 de 7,7%.

Em termos de atividade econômica, o setor agropecuário aumentou sua participações no nível de exportações, a 21,6%, ante 19,1% em 2019. A Indústria Extrativa também avançou 0,9 ponto percentual no acumulado do ano ante 2019, a 23,3%, enquanto a Indústria de Transformação perdeu espaço, com participação de 54,7%, ante 58% em 2019.

Entre os destinos de exportação, destaque para o continente asiático, que registrou aumento de 7,2%, pela média diária, sob o ano de 2019, impulsionado pela atividade da China, que influenciou a “resiliência” das exportações domésticas, afirmou Ferraz em coletiva de imprensa virtual.

“Como a China foi um país, e a região asiática como um todo, que se recuperou mais cedo da pandemia e começou a aumentar seu volume importado… é natural que o Brasil, que é um país que tem vantagens comparativas de produtos consumidos por essa região, se beneficiasse mais na sua pauta exportadora”, completou.

Apesar da variação positiva em relação à Ásia, o Brasil registrou queda de exportações a outros importantes parceiros comerciais, como os Estados Unidos, a Argentina e a União Europeia (UE). Ferraz, no entanto, pontuou que produtos de maior valor agregado, naturalmente exportados para essas economias, foram afetados pelos impactos da Covid-19 nas regiões.

“Com o passar da pandemia, é natural que o Brasil volte a recuperar mercado nesses destinos, que são importantes destinos de produtos manufaturados para a nossa economia.”

Pela ótica das importações, o país registrou forte queda no setor da Indústria Extrativa (-41,2%), que teve participação total nas importações brasileiras no agregado do ano de 4,1%.

A Agropecuária também registrou recuo nas importações de 3,9%, com participação de 2,6%, enquanto a Indústria de Transformação teve queda de 7,7%, com participação em 93% do total.

DEZEMBRO

Em dezembro, o déficit foi de US$ 42 milhões, informou o ministério, abaixo do saldo positivo de 200 milhões de dólares esperado por analistas em pesquisa Reuters.

No último mês do ano, as exportações alcançaram US$ 18,365 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 18,407 bilhões.

Pela média por dia útil, as exportações em dezembro caíram 5,3% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto as importações saltaram 39,9%.

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