Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) – A avaliação negativa do governo do presidente Jair Bolsonaro manteve-se em trajetória de alta e chegou a 54%, de acordo com pesquisa do instituto Ipespe para a XP Investimentos divulgada nesta terça-feira, que apontou ainda que 58% dos entrevistados são contra o voto impresso, que é firmemente defendido pelo presidente apesar de ter sido rejeitado recentemente na Câmara.

De acordo com o levantamento, o percentual dos que consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo chegou a 54% depois de ficar em 52% na pesquisa anterior, variação dentro da margem de erro da sondagem — de 3,2 pontos percentuais.

Essa é a sexta pesquisa seguida XP/Ipespe que mostra elevação na avaliação negativa do governo, ainda que dentro da margem.

Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo são 23%, ante 25% na pesquisa anterior, ao passo que os que consideram a gestão regular são 20%, contra 21%.

Além disso, a desaprovação à maneira que Bolsonaro administra o país manteve-se em 63%, mesmo patamar da pesquisa anterior, ao passo que os que a aprovam são 29%, ante 31% na pesquisa anterior.

O levantamento também indagou sobre a implementação da impressão dos votos pela urna eletrônica, que vem sendo defendida por Bolsonaro em meio às alegações sem provas que ele faz constantemente de que o atual sistema eletrônico de votação é passível de fraudes e às afirmações falsas de que o modelo atual não é auditável.

De acordo com a pesquisa, 58% são contra o voto impresso, enquanto o percentual dos favoráveis é de 36% e os que não sabem ou não responderam somam 7%. Foi a primeira vez que o levantamento XP/Ipespe indagou sobre o voto impresso, cuja implementação foi rejeitada em votação pela Câmara dos Deputados.

Sobre os vários pedidos de impeachment já feitos contra Bolsonaro, o levantamento mostrou que 50% são favoráveis ao impedimento do presidente, contra 49% na pesquisa anterior, e 46% são contra, ante 45%.

ELEIÇÕES

A pesquisa também indicou continuidade do favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do ano que vem.

Em uma das simulações, o petista aparece com 40%, Bolsonaro (sem partido) fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) tem 10%, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (sem partido) soma 9%, enquanto o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), têm 4% cada.

Em um segundo cenário, Lula aparece com 37%, Bolsonaro vem em segundo com 28%, Ciro soma 11%, Mandetta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o apresentador José Luiz Datena (PSL) ficam com 5% cada e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), aparece com 1%. Pacheco é cobiçado pelo PSD para migrar para o partido e disputar o Palácio do Planalto no ano que vem.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, de acordo com a XP/Ipespe, o ex-presidente soma 51% das intenções de voto contra 32% do atual ocupante do Planalto.

As simulações de segundo turno também colocam Bolsonaro numericamente atrás de Ciro (44% a 32%), Moro (36% a 30%), Doria (37% a 35%), Mandetta (38% a 34%) e Leite (35% a 33%). Em todas as simulações de segundo turno em que aparece, o presidente fica atrás do rival.

Lula, ao contrário, aparece à frente dos adversário em todas as simulações de segundo turno em que tem o nome colocado: 49% a 34% contra Moro, 49% a 31% contra Ciro e 51% a 22% se o adversário é Leite.

O levantamento apontou ainda que 61% dos entrevistados não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, ao passo que 45% dizem o mesmo a respeito de Lula. Além disso, 23% dizem que com certeza votarão em Bolsonaro, percentual que é de 38% no caso de Lula. Outros 10% dizem que podem votar em Bolsonaro e 17% afirmam que podem votar em Lula.

A pesquisa XP/Ipespe ouviu 1.000 pessoas por telefone entre quarta-feira e sábado. A margem de erro da pesquisa é de 3,2 pontos percentuais.

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