A maioria das empresas ainda está planejando como será o retorno dos funcionários aos escritórios. Como o home office se mostrou bem produtivo, muitas vão deixar as equipes por mais tempo em casa. Para algumas, a opção de trabalho remoto será permanente.

Já as companhias que pretendem retomar o trabalho presencial estão precisando fazer ajustes tanto de arquitetura quanto de mobiliários em seus escritórios. Esse é o caso da Chep Brasil, que planeja instalar divisores de acrílicos em frente às mesas dos funcionários. “Vamos criar sentidos de circulação para as pessoas não se cruzarem”, diz João Palmeiras, general country manager da Chep Brasil.

Mas existe outras mudanças que podem ser feitas para criar um ambiente mais seguro. Bruna de Lucca, sócia do Studio BR Arquitetura, especializado em arquitetura corporativa, diz que os projetos dos últimos tempos priorizavam o ambiente colaborativo, em que não há lugar fixo para os funcionários se sentarem.

Esse tipo de disposição parece não combinar com o mundo pós-coronavírus. Isso não significa que as empresas precisam jogar tudo fora e criar tudo de novo. O que precisa é incorporar à cultura da empresa o hábito de que cada um deve ficar responsável pela higienização do local que utilizou. “Ninguém vai dar um passo atrás, o mundo precisa da colaboração, só que vai ser diferente, com mais limpeza.”

Mas o que precisa ser feito? Bruna categorizou sugestões de adaptações que as empresas podem fazer. Precisa fazer tudo? Não, mas quanto mais segurança melhor. Até porque a garantia de que o local é uma obrigação do empregador.

Intervenções físicas

Entram nessa categoria desde a ampliação das mesas de trabalho até a instalação de pias e dispensers de álcool em gel nos ambientes de trabalho.

Existem soluções bem simples, como intercalar pessoas nas estações de trabalho – para que não fiquem frente a frente nem lado a lado – com remoção de cadeiras das mesas e das salas.

Também dá para colocar lockers individuais na entrada ou recepção do escritório. “O objetivo é que a pessoa não traga nada da rua para o local de trabalho. Por isso, esse locker precisa ficar na entrada”, diz Bruna.

No Studio BR Arquitetura, os funcionários tiram o sapato antes de entrar no trabalho. Alguns já deixam m chinelo ou pantufa no armário e trocam de calçado ao chegar.

Equipamentos

Entre as opções que são sugeridas aos clientes estão desde a instalação de divisórias ou protetores de acrílico para as mesas até a instalação de sensores que medem a temperatura do funcionário. “É melhor ter esse sensor do que deixar um funcionário na porta só com a função de medir a temperatura das pessoas”, afirma a arquiteta.

Segundo Bruna, o mundo pós-covid-19 usará e abusará do touchless e da automatização. Isso significa instalar sensores para abertura de portas, por exemplo. “A descarga do banheiro pode ser acionada por sensor ou por um pedal. O objetivo é reduzir as áreas de contato.”

Redução da capacidade dos espaços

Isso se aplica a praticamente tudo: salas de reunião, estações de trabalho, refeitório, cafeteria elevador. “Se no refeitório cabem 10 pessoas, sugerimos reduzir a capacidade e criar mais horários de utilização.”

Em algumas empresas, como o Santander Brasil, os funcionários precisam agendar o horário de utilização do restaurante. O objetivo é evitar que todos frequentem ao mesmo tempo o local, gerando aglomeração.

Bruna diz que há sensores que medem a quantidade de pessoas nos lugares, que permitem saber se a capacidade máxima está sendo respeitada.

Fim do compartilhamento de objetos

A empresa possui pratos e talhares que são utilizados pelo funcionário? Acabe com isso. Cada um tem que usar o próprio objeto.

Lembra das xícaras de café em que cada um usa a sua e lava depois? A sugestão é que cada funcionário tenha a sua. Para as visitas, a opção é utilizar uma xícara de material descartável.

Abrir janela ou renovar mecanicamente o ar

Nos locais em que não for possível abrir janela, a sugestão é comprar equipamento que faça a renovação forçada do ar.

Precisa fazer tudo isso? Bruna diz que não. Segundo ela, cada empresa sabe da sua necessidade e realidade. Ela apresenta as opções, sempre lembrando que essas adaptações são provisórias. “No futuro, não sabemos quando, vamos voltar a ter um ambiente um pouco mais normal, menos regulado.”

Mobiliário

A Riccó, especializada em mobiliário para escritório, criou o projeto Safe Design, com desadensamento das estações de trabalho e instalação de divisores altos de acrílico.

“Uma das soluções com mais procura é o divisor frontal de acrílico, que já existia antes da pandemia [com 45 cm de altura]. Depois da pandemia, passamos a oferecer também um mais alto, de 60 centímetros”, diz Laís Zarantonelli, responsável por gestão de novos projetos da Riccó.

Segundo ela, uma vantagem das soluções do projeto Safe Design é que as mudanças não são permanentes. “Para colocar o divisor não precisa danificar móvel ou parafusar nada. Ele é fácil de reposicionar, não precisa de um especialista de fora para fazer isso.”

Uma das soluções é colocar divisor de acrílico na frente das mesas

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