A Arábia Saudita intensificou a guerra de preços do petróleo com a Rússia nesta terça-feira (dia 10). A petrolífera estatal saudita se comprometeu a fornecer um volume recorde de 12,3 milhões de barris por dia no próximo mês, um grande aumento da produção para inundar o mercado com a commodity.

O salto da produção, de mais de 25% em relação ao mês anterior, colocará a oferta da Saudi Aramco acima de sua capacidade máxima sustentável. Isso indica que o reino árabe decidiu usar até seus estoques estratégicos para despejar o máximo de petróleo no mercado e o mais rápido possível. Em fevereiro, a Arábia Saudita produziu cerca de 9,7 milhões de barris por dia.

Trabalhador em uma instalação da gigante petroleira Saudi Aramco em um campo de petróleo em Abqaiq, Arábia Saudita
Crédito: Maxim Shemetov/Reuters

Guerra de preços. É a mais nova manobra do que deve ser uma longa e amarga guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita. Na segunda-feira, os preços de referência do petróleo caíram perto de 25%, a maior queda desde a Guerra do Golfo em 1991, o que criou um caos nos mercados globais de ações e títulos.

O governo da Rússia respondeu em minutos ao que pareceu, em um primeiro momento, ser uma guerra só de palavras. Alexander Novak, ministro de Energia do país, disse que a Rússia tinha capacidade de aumentar a produção em 500 mil barris por dia. Isso colocaria a produção da Rússia potencialmente em 11,8 milhões de barris por dia, um recorde.

“Bem-vindo ao livre mercado”, disse Bob McNally, fundador da consultoria Rapidan Energy Group e ex-funcionário da Casa Branca. “O mundo está prestes a aprender muito rápido a importância de um grupo de controle que traga a estabilidade não apenas para o mercado global de petróleo mas para a economia e geopolítica”, disse McNally. O grupo de controle seria composto por produtores com influência para equilibrar o mercado.

Como ficam os outros grandes produtores de petróleo? Os Estados Unidos e outros países ocidentais começam a se preocupar com a guerra de preços entre duas das nações mais poderosas do mundo. Na segunda-feira, o Departamento de Energia dos EUA denunciou, em um raro comunicado, “tentativas de atores estatais de manipular e abalar os mercados de petróleo”.

Mesmo com o aumento da produção e guerra de palavras dos dois lados, Novak disse que a porta não está fechada para futuras negociações. Ele disse que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) poderia se reunir em maio ou junho.

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