A Ford vai mudar drasticamente seu modelo de negócio na Europa, onde a empresa não vendeu nenhum veículo totalmente elétrico no ano passado. A mudança de posicionamento tem como objetivo eletrificar toda a frota de carros de passeio até o final da década.

Um dos primeiros passos da transformação anunciada nesta quarta-feira (17) é investir em uma montadora alemã que vai começar a fazer modelos totalmente elétricos em dois anos. Até meados de 2026, todos os carros de passeio vendidos pela marca vão ser híbridos ou totalmente elétricos.

Até 2030, a frota deve ser completamente elétrica. Apenas alguns veículos comerciais, como vans e caminhões, não vão entrar no novo modelo.

“Os consumidores estão querendo cada vez mais que a empresa vá para o setor de carros elétricos”, afirmou o presidente da Ford Europa, Stuart Rowley. “Nossos consumidores estão muito focados em sustentabilidade e eles querem que as marcas e empresas sigam esta jornada com eles”.

Nos últimos dois anos, a Ford cortou custos de US$ 1 bilhão com o fechamento de cinco fábricas, a venda de uma fábrica e com o corte de mais de 10.000 empregos. Segundo o ranking do European Automobile Manufacturers’ Association, a Ford ficou em nono lugar em vendas no ano passado, atrás da Toyota Motor Corp e da Fiat Chrysler.

Os planos para os carros elétricos movimentaram o mercado acionário. As ações da Ford subiram até 2,1% antes do início das negociações regulares em Nova York e saltaram 31% este ano, impulsionadas pelo otimismo sobre sua mudança para carros elétricos.

Planos em Cologne

Os investimentos da Ford em Cologne, na Alemanha, têm como objetivo modernizar a fábrica, que já tem 90 anos e é um dos maiores complexos de manufatura da Europa

A montadora compartilhará mais detalhes sobre seus planos para a instalação nos próximos meses. A fábrica já produz os carros Fiesta e, com a mudança, a produção deste modelo vai continuar em paralelo com um novo veículo elétrico.

A Europa se tornou o epicentro da adoção de carros elétricos o ano passado, com montadoras vendendo mais veículos totalmente elétricos e híbridos no continente do que na China pela primeira vez na história. O aumento foi impulsionado por padrões de emissões mais rígidos, subsídios que ajudaram a indústria a se recuperar de interrupções relacionadas à pandemia e a introdução de novos modelos para atender a regras ainda mais rígidas nos próximos anos.

A Ford precisava de ajuda para cumprir os limites de emissão de gás carbônico da Europa no ano passado, principalmente por problemas de incêndio com a versão híbrida de seu veículo utilitário esportivo Kuga. Para resolver o problema, fechou um acordo em outubro para agrupar sua frota com a Volvo Cars.

Uma parceria com a Volkswagen AG ajudará a Ford a eletrificar sua frota no futuro. As empresas anunciaram em 2019 que iriam expandir uma aliança formada no ano anterior para incluir também trabalho conjunto em veículos elétricos a tecnologia de direção autônoma. A Ford disse então que construiria pelo menos um carro com bateria para o mercado de massa na Europa a partir de 2023 com base na plataforma modular da VW, conhecida como MEB.

A divisão de custos será fundamental para a Ford manter seu ímpeto de ganhos na região, onde a empresa chegou perto de sua meta de longo prazo de uma margem de lucro de 6% no quarto trimestre. O lucro de US$ 414 milhões da Ford Europa antes de juros e impostos foi o melhor resultado trimestral da empresa em mais de quatro anos.

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