Por Ann Saphir e Howard Schneider

SÃO FRANCISCO/WASHINGTON (Reuters) – Apesar do flerte da economia dos Estados Unidos com uma depressão no ano passado e da pandemia de coronavírus, que praticamente parou as viagens, Jeff Hurst, presidente-executivo da empresa de aluguel de casas por temporada VRBO, vê um ‘boom’ no horizonte.

“Todas as casas serão alugadas neste verão”, disse Hurst, à medida que a proteção esperada das vacinas chega em sintonia com o clima mais quente no Hemisfério Norte, liberando uma população confinada com economias recordes guardadas. “Há muita demanda acumulada.”

Esse tipo de sentimento otimista tem cada vez mais se enraizado entre executivos, analistas e consumidores que vêem o ano passado de hibernação — desde o fechamento de empresas ordenado pelo governo até a contínua busca por evitar riscos pelo público — dando lugar a um cauteloso ressurgimento da economia.

Dados da AirDNA, uma empresa de análise de aluguel de curto prazo, mostraram que as reservas de férias para o final de março, que tradicionalmente coincide com as pausas de primavera dos norte-americanos da faculdade, estão apenas 2% abaixo do nível pré-pandemia. As vagas de emprego no site de oportunidades de trabalho Indeed estão 4% acima da base pré-pandemia. Os dados sobre o tráfego de pessoas no varejo, viagens aéreas e restaurantes aumentaram.

E as previsões dos economistas avançaram em massa, com empresas como a Oxford Economics vendo uma economia “incrementada” atingindo um crescimento de 7% este ano, ritmo mais típico de países em desenvolvimento.

DEPRESSÃO EVITADA

Até 25 de fevereiro, cerca de 46 milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam pelo menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19 — ainda menos de 15% da população e não o suficiente para diminuir a propagação de um vírus que matou mais de meio milhão de pessoas no país, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Mas a distribuição da vacina e um declínio acentuado nos novos casos produziram uma perspectiva econômica impensável um ano atrás, quando o Federal Reserve abriu seu manual de emergência em uma promessa concisa de ação, enquanto o Congresso aprovou o primeiro de vários esforços de resgate.

O medo então era de anos de produção atrofiada, semelhante ao visto na Grande Depressão dos anos 1930, enquanto algumas projeções previam milhões de mortes e uma quarentena nacional prolongada. Em vez disso, as primeiras vacinas foram distribuídas antes do final de 2020, e uma intervenção fiscal e monetária recorde levou a um aumento na renda pessoal, algo inédito em uma recessão.

O Produto Interno Bruto dos EUA pode atingir seu nível pré-pandemia durante o verão no Hemisfério Norte, aproximando-se da recuperação em “V” que parecia improvável há algumas semanas.

Isso ainda significaria mais de um ano de crescimento perdido, mas ainda assim representa uma recuperação duas vezes mais rápida do que a vista após a recessão de 2007-2009.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).