Montadoras no Japão, onde quase 30% da população tem 65 anos ou mais, assumiram a liderança na adaptação de carros para que os inúmeros motoristas idosos do país possam se sentir mais confiantes – e mais seguros – ao volante.
Uma série de acidentes envolvendo idosos ao volante aumentou a pressão de reguladores para padronizar recursos avançados. Freios automáticos serão necessários para todos os veículos novos vendidos no mercado interno a partir deste ano, por exemplo, e empresas como Toyota e Nissan agora empregam tecnologia inteligente para tornar os carros mais amigáveis para idosos.

Também se torna prioridade com o desaparecimento de ferrovias públicas em áreas rurais, o que piorou a crise de isolamento agravada ainda mais pela pandemia de coronavírus. Sem nenhum meio de locomoção, idosos no Japão estão cada vez mais confinados em casa.

Um recente acidente fatal destacou o problema. Em fevereiro do ano passado, promotores japoneses indiciaram Kozo Iizuka, de 89 anos, acusado de negligência que resultou em morte e ferimentos após um acidente no distrito de Ikebukuro, em Tóquio. O motorista estava a caminho de um restaurante francês com a esposa em abril de 2019, quando seu Toyota Prius perdeu o controle em um cruzamento, matando uma criança e a mãe e ferindo várias outras pessoas.

O acidente dominou as manchetes, principalmente por causa do alto cargo público antes ocupado por Iizuka. A opinião pública se voltou contra Iizuka, que retornou ao tribunal nesta semana depois de se declarar inocente em outubro. O incidente também gerou um debate nacional sobre o aumento do número de motoristas idosos nas estradas japonesas. Após o acidente, o número de idosos que optaram por parar de dirigir disparou. De acordo com a Agência Nacional de Polícia, 350.428 pessoas com 75 anos ou mais devolveram suas carteiras de motorista em 2019, o maior número já registrado.

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