O Procon-SP quer explicações do Facily, app de compra coletiva de supermercado, sobre os problemas de entrega e falta de estorno registrados pelos consumidores. Em dois meses, o órgão contabilizou 11 mil reclamações contra o Facily, a maioria por atrasos na entrega e dificuldade de contato com a empresa.

Em entrevista ao 6 Minutos, o Luciano Freitas, CMO (Chief Marketing Officer) e cofundador da Facily, disse que a empresa havia crescido demais em pouco tempo e isso havia afetado sua operação. “Somos uma startup com estrutura de startup. Na pandemia, crescemos dois dígitos por mês. Mas neste ano estamos crescendo três dígitos. Dobramos de tamanho mês a mês e com isso vieram as dores do crescimento.”

Mas o crescimento do Facily tem que respeitar os direitos dos consumidores. O Procon convocou o app para uma reunião presencial nesta quarta-feira (dia 8). A empresa deverá explicar sobre os problemas causados aos consumidores, a falha nos canais de atendimento pós-venda, entre outras práticas que desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor.

Segundo o Procon, a empresa foi notificada em maio, mas as explicações não foram suficientes e os questionamentos dos consumidores continuaram a chegar ao Procon-SP. Só no dia 5 de julho foram registrados 500 casos.

Freitas, do Facily, diz que a empresa está trabalhando para resolver os atrasos de entrega e estornos. “Vamos resolver 100% dos problemas em algumas semanas. Chegamos a um ponto que não podemos só dobrar o número de pedidos, mas precisamos dobrar a estrutura de desenvolvedores, suporte, logística. Mas leva tempo entrevistar todo mundo”, afirma Freitas.

Outras falhas

Os problemas não dizem respeito apenas à falta de entrega. O Faciçy também descumpre a regra de informar com clareza os preços cobrados. No app, a empresa destaca apenas os valores com desconto dos itens comprados em grupo. Ou seja, não informa qual o valor da compra unitária e sem desconto, o que prejudica a comparação de preços e a compreensão do consumidor.

Para piorar, em seus termos e condições de uso, a Facily se isenta de responsabilidade por eventuais problemas nos serviços prestados e não respeita o direito ao arrependimento, que prevê que o consumidor pode desistir da compra feita de forma remota dentro do prazo de sete dias e receber de volta o valor integral.

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