A primeira vítima do PIX, plataforma de pagamentos instantâneos que está sendo desenvolvida pelo Banco Central, deve ser o dinheiro vivo. Hoje, esse meio é utilizado por 60% da população para fazer pagamentos. Para a população de menor renda, que está fora do sistema bancário ou paga muito caro para usar seus serviços, o dinheiro acaba sendo a única forma de fazer transações.

Para esse público, segundo Max Gutierrez, head de produto e pessoa física do C6 Bank, a chegada do PIX vai representar uma inserção no mundo dos pagamentos digitais. Hoje, essas pessoas precisam carregar dinheiro na carteira para fazer compras ou pagar pessoas porque sai muito caro sacar ou fazer transferências.

“Existe uma quantidade gigantesca de pessoas que recebe em dinheiro e gasta tudo em dinheiro. Isso acontece porque são poucos os bancos que não cobram tarifa de saque. E as tarifas de TED e DOC são altas, não se justificam para transferências de pequeno valor”, disse Gutierrez explicando a preferência pelo dinheiro entre a população de menor renda.

Por que as pessoas trocariam o dinheiro pelo PIX? Porque vai ser muito fácil, cômodo e barato utilizá-lo, segundo o Banco Central. Em vez de carregar dinheiro, as pessoas poderão pagar contas, transferir ou receber dinheiro utilizando apenas o número do celular. Para o pagador, não haverá cobrança de taxas para usar o PIX. E diferentemente da TED e do DOC, transferências com o PIX serão instantâneas e poderão ser realizadas todos os dias da semana, inclusive fins de semana e feriados, sem restrição de horário.

O PIX vai inserir essas pessoas no e-commerce? É muito provável que sim. Hoje, quem tem cartão de débito dificilmente consegue fazer compras pela internet. As opções de pagamento oferecidas são o cartão de crédito ou boleto bancário. O PIX vai ser uma opção de pagamento para essas pessoas no e-commerce.

Para o varejista, o PIX será um meio de pagamento mais vantajoso que o boleto, já que há muita desistência de compra com essa última forma.

Mas como dar acesso ao PIX a quem não tem nem conta em banco? Do ponto de vista das instituições, ficará mais barato abrir conta. É que custo de envio de um cartão (débito ou crédito) para a casa dos clientes é muito alto, pois envolve gastos com emissão e envio do plástico. Com o PIX, os usuários não precisarão de um cartão de plástico para fazer transações, o que tornará esses clientes mais atrativos para as instituições.

“O custo com novos entrantes vai ser muito mais barato, pois não haverá gastos como esses. Isso será ótimo para o cliente, pois haverá mais instituições dispostas a ter um relacionamento com ele”, diz Gutierrez.

O PIX vai matar as maquininhas? Não é bem assim, pois o parque de maquininhas instaladas no país é muito grande e não vai desaparecer da noite para o dia. Mas pode ser uma boa opção de recebimento para o microempreendedor, já que o custo da transação será muito menor que as taxas cobradas nos pagamentos com cartão.

“O microempreendedor paga taxas de 2% a 4% para receber com maquininha. O custo vai ser muito menor com o PIX”, afirma Gutierrez.

O PIX vai matar o cartão de débito? O PIX vai ser uma operação muito parecida com o débito, mas sem a necessidade do cartão para ser realizado. Apesar da vantagem financeira do PIX, a Abecs diz que o cartão de débito não vai morrer.

“Sempre haverá espaço para o cartão, até porque hoje existe o pagamento por aproximação que torna muito mais simples sua utilização”, diz Ricardo Vieira, diretor-executivo da Abecs. “O PIX vai complementar, mas existe espaço para o cartão de crédito, de débito e pré-pago.”

E a TED e o DOC? Para Daniel Mazini, chief product officer da Neon, PIX trará impactos sim para os boletos, TEDs e DOCs. “Essas transferências são mais caras e o custo de emissão de boleto é alto. Deve haver diminuição do saque em dinheiro”, afirmou.

O PIX vai pegar logo? Para Gutierrez, do C6 Bank, tudo depende das taxas que as empresas de maquininha vão cobrar do comércio. Se as taxas forem parecidas, o lojista não verá muita vantagem para usar o PIX em vez do cartão de débito, meio que está mais acostumado a usar.
“Depende de como vai ser a aceitação do lojista, do interesse dos adquirentes e da experiência que vai ser dada ao usuário. Se ele estiver no supermercado e encontrar dificuldade para usar, a experiência será ruim”, afirma Gutierrez.

Em que pé está o PIX? O Banco Central informou que o cadastramento de chaves do PIX começa em 5 de outubro. Traduzindo: “chave” é o nome dado para dados dos clientes, como número de CPF, celular ou e-mail. As chaves servirão para identificação dos pagamentos.

O plano é que o PIX esteja disponível a partir de 16 de novembro em todo o país.

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