Após um ano difícil, a indústria automotiva é cautelosa quando aborda a provável recuperação do setor em 2021. O recente aumento dos casos da covid-19 e a possibilidade de falta de peças no mercado são algumas das ameaças para a idústria, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

São cinco os principais desafios apontados pelo setor:

  • Situação fiscal brasileira: a Anfavea alerta para o crescimento da dívida pública em comparação com o PIB. Esse ponto é especialmente sensível para o setor, uma vez que influencia na taxa de câmbio em um segmento que trabalha com peças e insumos importados;
  • Fragilidade do mercado de trabalho: o desemprego tem crescido no Brasil e já atingia 14,1 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em outubro, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pessoas sem renda deixam de ser potenciais compradores de carros novos, e isso ameaça a retomada;
  • Aumento da carga tributária: o governo do Estado de São Paulo determinou o aumento do ICMS para veículos usados a partir de 15 de janeiro. “Para nós foi uma surpresa. A gente não imagina que em um momento de recuperação mercado o Estado de São Paulo propusesse o aumento da carga tributária”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (8).
  • Extensão da crise sanitária: o Brasil ultrapassou a marca de 200 mil mortes pela covid-19. Para Moraes, a situação é preocupante. Caso os governos determinem novas restrições para conter a crise, o setor deve ser afetado. Em contrapartida, a Anfavea espera que o consumidor se sinta mais a vontade de realizar compras à medida que a vacinação começar;
  • Questões de logística e oferta: ainda existe o risco da falta de peças, tanto nacionais como importadas, o que pode comprometer a cadeia produtiva e levar à falta de alguns modelos.

Moraes afirma que, apesar dos desafios, a Anfavea adota uma posição conservadora de crescimento para 2021. A projeção é de que haja o emplacamento de 2,367 milhões de unidades, frente a 2,058 milhões em 2020 — ou seja, um crescimento de 15%.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).