O Banco do Brasil informou nesta quinta-feira (18) que André Brandão entregou pedido de renúncia ao cargo de presidente-executivo da instituição, com efeito a partir de 1 de abril. Também nesta quinta, o governo federal anunciou que indicou Fausto Ribeiro para ser o próximo presidente-executivo do Banco do Brasil.

O executivo já vinha manifestando a interlocutores desconforto em permanecer no cargo após ameaças do presidente Jair Bolsonaro de tirá-lo do comando do banco. No mês passado, especulações sobre uma saída iminente de Brandão tomaram o mercado, provocando forte queda nas ações do banco, diante da visão de investidores de ingerência governamental na gestão do BB.

Ribeiro, funcionário de carreira no BB desde 1988, será o terceiro presidente do banco em cerca de seis meses, com Brandão finalmente sucumbindo ao desgaste com o presidente Jair Bolsonaro após o anúncio em janeiro de um plano da instituição que incluía demissões e fechamento de agências.

O novo CEO, que teve boa parte da carreira ligada às operações internacionais do banco, incluindo a integração do argentino Banco Patagonia e as operações do BB na Espanha, é desde o ano passado presidente da BB Administradora de Consórcios.

Pelo estatuto do banco, Ribeiro deve ter o nome aprovado pelo conselho de administração antes de assumir o cargo, o que tende a acontecer em 1 de abril, quando Brandão deixará oficialmente o cargo.

Brandão caiu em desgraça com Bolsonaro em janeiro, após o BB ter anunciado um plano para fechar 361 agências e abrir um programa de demissão voluntária para 5 mil funcionários com objetivo de economizar 2,7 bilhões de reais até 2025.

O potencial desgaste político da medida levou Bolsonaro a ameaçar demitir Brandão, que havia assumido em setembro, depois de uma carreira internacional no HSBC. Na época ele substituiu Rubem Novaes, que ficou pouco mais de um ano e meio no cargo.

O BB passou as últimas semanas negando que tivesse havido pedido do governo federal para uma troca no comando e que o mal estar resultou de um problema de comunicação.

No entanto, o próprio Brandão manifestou a interlocutores desconforto em permanecer no cargo, publicou a Reuters no final de fevereiro citando uma fonte com conhecimento do assunto, dias após Bolsonaro ter anunciado a troca do comando da Petrobras.

A saída de Brandão pode reforçar a percepção de investidores de ingerência do governo federal em estatais, cujas ações têm registrado grande volatilidade no mercado nas últimas semanas.

As ações do BB encerraram o dia em queda de 0,85%, cotadas a 30,44 reais. O Ibovespa recuou 1,47%.

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