Uma visita ao supermercado não deixa dúvidas: a comida ficou mais cara. Em alguns casos, bem mais cara. O arroz aumenta semana a semana. Até a linguiça, estrela de nove em cada dez churrascos pelo país, disparou. O custo dos alimentos ganhou tal protagonismo no debate nacional que o presidente Jair Bolsonaro chegou a pedir para que os empresários do setor trabalhem com margens mínimas e não reajustem seus preços, se puderem. Tabelamento, por ora, está descartado.

Nesta quarta-feira, o IBGE informou que a inflação oficial do Brasil em agosto, medida pelo IPCA, foi de 0,24%. A dúvida é compreensível: por que a inflação é baixa, se os preços estão tão altos?

Há algumas explicações para isso. Vamos a elas.

Peso da comida

O IBGE divide os preços em 9 categorias principais. São elas Alimentação e bebidas, Habitação, Artigos de residência, Vestuário, Transportes, Saúde e cuidados pessoais, Despesas pessoais, Educação e Comunicação. Cada uma delas com um peso específico para a formação do IPCA.

Alimentação corresponde, na média nacional, a 20% do IPCA. Esse peso varia de capital para capital. Em Brasília, a comida corresponde a 16% do índice de inflação, enquanto em Belém chega a 26%.

Portanto, ainda que a comida fique mais cara, ela tem potencial limitado de empurrar para cima a inflação. Se as outras oito categorias do IPCA estiverem estáveis, a inflação será baixa. Em agosto, por exemplo, os preços relacionados às depesas com educação caíram 3,47%.

Comida em casa x Comida fora de casa

Pelo IPCA, a categoria Alimentação e Bebidas subiu 0,78% no mês passado. Mas é importante lembrar que gastos com alimentação não se restringem ao supermercado. Para fazer os cálculos da inflação, o IBGE considera também as despesas fora de casa, desde cafezinhos na padaria até refeições em restaurantes. E, com o isolamento social e a queda no movimento, os restaurantes estão segurando os preços e evitando reajustes. Isso contribui para segurar a inflação.

Diversidade de preços

Produtos mais consumidos chamam mais a atenção. Variações no preço do arroz, do feijão e da carne, itens básicos na alimentação diária do brasileiro, são facilmente notadas. Mas a pesquisa do IBGE é ampla, e considera centenas de itens. Para formar o IPCA, são registrados os preços de itens como o açúcar demerara, o coentro e a couve-flor. A lista é enorme, e você pode consultar aqui.

Portanto, apesar de importantes, algumas altas pontuais acabam diluídas diante da estabilidade (ou queda) de outros produtos alimentícios.

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