Os bares e restaurantes estão comemorando o fim das restrições de funcionamento, mas as dívidas, a elevação das taxas de juros e o aumento dos custos dificultam a retomada e podem levar mais estabelecimentos a fecharem as portas.

Pesquisa nacional feita pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) aponta que 77% dos empresários fizeram empréstimos durante a pandemia. E uma em cada cinco empresas (21%) está com dívidas bancárias em atraso.

“Além da inflação, continuamos preocupados com o alto nível de endividamento das empresas. A alta da Selic trouxe problemas para quem pegou empréstimo na crise, principalmente os que aderiram ao Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte] em 2020. Quem pegou o crédito a 3,25% de juros ao ano agora está pagando 9%, por causa da indexação à Selic. É preciso resolver a situação, ou muitos irão quebrar”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Medo de afastar clientes

Segundo os dados divulgados pela associação, um terço dos estabelecimentos ainda trabalha com prejuízo. Na percepção dos empresários, a alta dos insumos ultrapassa inflação oficial.

Se por um lado a animação é grande – 79% dos consultados acreditam que as vendas irão aumentar até o fim de 2021 – por outro, a realidade bate à porta: quase um terço (32%) dos bares e restaurantes segue trabalhando no prejuízo. A maioria destes (60%) ainda não conseguiu reajustar o cardápio para sair do vermelho.

“Nenhum empresário trabalha no prejuízo por opção. Se ainda não aumentamos os preços do cardápio é pelo medo de afastar os clientes neste momento de retomada. Mas 75% dos estabelecimentos dizem que não terão mais como segurar esse repasse se os custos continuarem aumentando”, diz Solmucci.

Os preços assustam

A inflação nos principais insumos de bares e restaurantes pressiona ainda mais o setor. O IPCA de alimentos e bebidas nos últimos 12 meses está em 14,6%. Mas a percepção dos empresários, segundo a pesquisa, aponta para um aumento acima deste patamar.

A maioria (55%) afirmou que os insumos encareceram mais de 15% este ano. A carne, a energia elétrica e os laticínios são os que mais subiram, na visão dos empresários. Já a cerveja, o aluguel e os hortifrútis tiveram a menor percepção de aumento.

Com a retomada e o fim das restrições, bares e restaurantes precisam recompor seus estoques, já mirando também as festas de fim de ano. No entanto, muitos enfrentam dificuldade na hora da compra.

Enquanto a alta dos preços é o principal motivo de dor de cabeça para quem precisa comprar carne, 39% dos consultados dizem estar difícil ou muito difícil fazer o reabastecimento do item.

Para quem compra cerveja, a grande dor de cabeça é a falta ou escassez do produto no mercado – dos 25% que apontaram problemas para comprar cerveja, 36% dizem que a escassez é a principal causa.

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