Depois que a inflação nas principais economias atingiu os maiores níveis em décadas impulsionada pelos preços da energia e pegou bancos centrais desprevenidos, a próxima fonte de pressão poderia vir dos preços dos alimentos, de acordo com a Nomura.

“Os alimentos têm um peso muito maior no IPC do que a energia, especialmente em economias de mercado emergentes”, disseram analistas da Nomura liderados por Rob Subbaraman em relatório.

“São nos preços dos alimentos que as sementes da próxima crise já podem estar plantadas”, disseram, acrescentando que os altos preços da energia provavelmente terão fortes efeitos secundários sobre os alimentos.

Custos crescentes da energia, gargalos da cadeia de suprimentos e a demanda resultante da reabertura das economias aceleram a inflação global. Em outubro, os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram no ritmo anual mais rápido desde 1990, e a inflação aos produtores na China atingiu o maior nível em 26 anos.

Mesmo antes da crise de Covid, fatores relacionados à oferta e demanda apontavam para preços maiores dos alimentos, disse a Nomura. E essa dinâmica foi ampliada pela pandemia e aumento dos custos de energia.

No cenário hipotético de alta de 15% dos preços globais dos alimentos até o fim de 2022, o aumento das expectativas de inflação levaria bancos centrais a um “aperto mais rápido e mais cedo”, segundo os analistas.

Outro impacto potencial viria da natureza “inelástica” do consumo alimentar, o que poderia reduzir a renda real disponível das famílias para outros bens e serviços. Este último pressionaria a inflação para baixo e exigiria que os bancos centrais avaliassem o resultado das forças opostas.

Destaques do relatório:

  • Para o Banco Central Europeu, um choque de 15% nos preços dos alimentos poderia elevar o IPC acima de 4% até o fim de 2022, contra o consenso atual abaixo de 2%. Como o provável término do programa de compras emergenciais da pandemia até lá, os mercados podem se perguntar quando os juros vão subir.
  • Os preços dos alimentos podem ser um problema menor para o Banco da Inglaterra e para o Federal Reserve devido à menor ponderação na cesta do IPC. Ainda assim, um aumento de 15% nos preços dos alimentos poderia elevar o IPC em mais 1,5 ponto percentual em relação às previsões atuais tanto para os EUA quanto para o Reino Unido.

“Mas o possível contágio do pico da energia nos preços dos alimentos é menos comentado” e pode trazer uma surpresa significativa para a inflação em 2022, o que poderia obrigar bancos centrais a revisarem as projeções, de acordo com a Nomura.

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