Puxada pelos alimentos e bebidas, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou 0,86% em outubro. Foi a maior alta para um mês de outubro desde 2002, quando o indicador foi de 1,31%. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE.

No ano, a inflação acumula alta de 2,22%. Em 12 meses, o avanço é de 3,92%, acima dos 3,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O que puxou o aumento? Quase tudo subiu, pois oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta. Mas a maior variação, mais uma vez, veio do grupo alimentação e bebidas.

“Todos esses itens têm contribuído para alta sustentada dos preços dos alimentos, que foram de longe o maior impacto no índice do mês”, afirma o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Quais as maiores altas em alimentos? Arroz e óleo de soja continuam sendo os vilões, apesar das altas terem sido menos intensas que em setembro:

  • Tomate: 18,69%
  • Batata-inglesa: 17,01%
  • Óleo de soja: 17,44%
  • Arroz: 13,36%
  • Frutas: 2,59%
  • Carnes: 4,25%

Alguma coisa ficou mais barata? Sim. Houve queda em itens que pesam menos no consumo geral das famílias como cebola (-12,57%), cenoura (-6,36%) e alho (-2,65%).

Qual foi o segundo maior impacto nos preços? O segundo maior peso veio do grupo transportes, puxado pelo aumento de 39,83% das passagens aéreas. Houve alta nos preços das passagens em todas as regiões pesquisadas, que foram desde os 21,66% em Porto Alegre até 49,71% em Curitiba.

“A alta nas passagens aéreas parece estar relacionada à demanda, já que com a flexibilização do distanciamento social, algumas pessoas voltaram a utilizar o serviço, o que impacta a política de preços das companhias aéreas”, explica Pedro Kislanov, lembrando que os preços das passagens foram coletados em agosto para quem ia viajar em outubro.

O dólar influenciou também? Sim. A alta do dólar pesou no preço dos eletroeletrônicos e dos artigos de informática.

Como isso afeta a política de juros? Um dos fatores que determinam a política de juros é a inflação. A Necton mantém a estimativa de alta da Selic na segunda reunião de 2021. “E depois seguido de altas consecutivas, no ritmo de 50 pontos por reunião, fazendo a Selic chegar em 4% ao final do ano que vem.”

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