O governo alemão prepara medidas de estímulo fiscal que podem ser ativadas em caso de uma recessão profunda, disseram à Bloomberg duas pessoas com conhecimento do assunto. O PIB da maior economia europeia encolheu 0,1% no segundo trimestre em relação ao primeiro; a taxa anualizada de expansão se desacelerou de 0,9% para 0,4%.

O que está em estudo? O programa teria como objetivo reforçar a economia doméstica e os gastos do consumidor de modo a evitar o desemprego em larga escala, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas.

O governo está estudando incentivos para melhorar a eficiência de energia das residências, promover contratações de trabalho de curto prazo e aumentar a renda por meio do programa de bem-estar social. São medidas semelhantes aos bônus criados na crise de 2009 para estimular os alemães a comprar carros novos.

Qual o contexto? O Banco Central da Alemanha alertou nesta segunda-feira (dia 19) que a economia pode estar prestes a entrar em recessão, aumentando a pressão sobre os políticos para elevar o apoio à medida.

Mas e a disciplina fiscal? A rígida aderência da Alemanha à sua política de orçamento equilibrado está diminuindo. No domingo, o ministro das Finanças, Olaf Scholz, sugeriu que o governo poderia ter gastos extras de 50 bilhões de euros (US$ 55 bilhões) em caso de crise econômica. Na semana passada, a chanceler Angela Merkel disse que a economia está “caminhando para uma fase difícil” e que seu governo reagirá “dependendo da situação”.

O governo alemão estuda medidas de estímulo para acelerar a economia em crise
Crédito: Shutterstock

Merkel tem o apoio da população? Em termos. A coalizão política de Merkel está se tornando cada vez mais impopular, com o aumento da pressão doméstica para que alemães abram os cofres.

O que impede então que a Alemanha tome as medidas de estímulo? O governo exige que a Câmara declare uma crise para que ele possa emitir dívida além das diretrizes normais autorizadas durante uma recessão. Sem um sentimento de mal-estar generalizado, a aprovação poderia ser difícil de justificar.

Mesmo com a contração do PIB da Alemanha no segundo trimestre, as autoridades da administração Merkel estão preocupadas com o fato de que uma farra de gastos incentivaria importações e poupança, em vez de estimular a produção industrial e proteger os empregos, disseram as pessoas.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).