Por Maximilian Heath e Hugh Bronstein

BUENOS AIRES (Reuters) – Os agricultores da Argentina aceleraram drasticamente as vendas de milho da safra 2020/21 em janeiro, devido aos temores causados por uma intervenção governamental temporária sobre as exportações do cereal em um momento de altos preços nos mercados internacionais, disseram produtores nesta quarta-feira.

Segundo dados do Ministério da Agricultura argentino, entre os dias 7 e 13 janeiro os produtores venderam 1,07 milhão de toneladas de milho 2020/21 a exportadores, ante 334.300 toneladas comercializadas em igual período do ano anterior, com o cereal da temporada 2019/20.

As vendas ocorreram durante as duas semanas em que o governo argentino interrompeu e depois limitou o mercado de exportação de milho 2019/20. A decisão oficial gerou fortes críticas dos setores agrícola e agroexportador, e o governo acabou optando por desfazer a medida.

Na última semana de dezembro, as vendas de milho 2020/21 haviam somado apenas 103.800 toneladas.

“As medidas intervencionistas não funcionam. É como cuspir para cima”, disse à Reuters o presidente da associação rural CRA, Jorge Chemes, explicando que a medida cujo objetivo era incrementar a oferta doméstica de milho 2019/20 acabou desencadeando fortes vendas do cereal de 2020/21 ao exterior.

“Há o temor de novas medidas. Temos medo que ocorra o mesmo com o trigo, que ocorra o mesmo com a carne”, acrescentou o chefe de uma das três entidades agropecuárias que realizaram uma greve comercial de quase três dias na semana passada, em protesto contra a intervenção.

Neste momento, os agricultores estão concluindo o plantio de milho 2020/21, cuja safra foi estimada pela Bolsa de Comércio de Rosario (BCR) em 46 milhões de toneladas, versus 51,5 milhões de toneladas no ciclo anterior. A colheita de milho tem início em abril na Argentina, a terceira maior exportadora de grãos do mundo.

Enquanto isso, o produtor agrícola David Hughes afirmou que a tendência de um forte avanço nas vendas antecipadas continuará.

“O milho está com um preço excelente e estamos revisando nossas produtividades, que estão boas. Dadas essas variáveis e as versões de que o governo pode fechar as exportações, estamos vendendo uma boa parte da nossa nova safra”, disse Hughes, que produz na província de Buenos Aires.

No mercado local de futuros, o MATBA-ROFEX, o contrato de referência do milho 2021, para abril, era negociado a 205 dólares por tonelada, alta de quase 70% em relação ao momento em que começou a operar, em abril do ano passado. Na bolsa de Chicago, os futuros do cereal alcançaram nas últimas semanas os patamares mais elevados em anos.

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