Com um feriado já na largada, o calendário econômico desta semana tem eventos mornos, mas que podem mexer pontualmente com o mercado financeiro aqui no Brasil. Para ajustar as velas dos barcos e poder navegar mais tranquilamente pela semana, os investidores devem ficar de olho nos números das economias europeias, no indicador brasileiro de inflação e nos desempenho dos setores de serviços e varejo.

Balança comercial da China

Os números de importações e exportações da China já foram divulgados nesta segunda-feira, mas devem impactar os mercados na terça-feira, já que as bolsas americanas e a bolsa brasileira não operaram devido ao feriado. Chamou a atenção o fato de as importações de minério do país terem caído 11%, o que deve impactar não só o preço da commodity como as ações da Vale.

A empresa foi impulsionada nos últimos meses pela demanda da China por minério de ferro, e pode ser penalizada por uma eventual redução das exportações para o país. Dado que a Vale é a empresa de maior peso no Ibovespa atualmente, todo o mercado pode ser impactado por essa mudança de cenário.

PIB da zona do Euro e do Japão

Ainda na madrugada de terça-feira (dia 8), o Japão divulgará os números do PIB do segundo trimestre. Horas depois, será a vez da União Europeia. Os dados econômicos do Japão e dos países da zona do Euro vão indicar a real dimensão da crise causada pela pandemia do coronavírus entre abril e junho, período em que as restrições da quarentena ainda estavam em vigor.

“Se o resultado vier acima do esperado pelo mercado pode gerar certo otimismo nos índices”, diz Lucas Carvalho, analista da corretora Toro Investimentos.

Inflação no Brasil

Na quarta-feira (dia 9) teremos os resultados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que indicarão a toada da inflação brasileira. A expectativa dos economistas é de um avanço de 0,35% nos preços em agosto, mas é possível que haja alguma surpresa no caminho, em razão do choque nos custos dos alimentos.

Carvalho, da Toro, lembra que como a inflação é monitorada pelo Banco Central para a elaboração dos cenários da taxa Selic, é possível que um IPCA mais alto do que o esperado mexa com a curva de juros futura.

De olho no varejo e nos serviços

Os números de vendas no varejo referentes a julho devem ser divulgados na quinta-feira (dia 10), e esse é um dos indicadores mais esperados da semana. A expectativa dos economistas é de que o setor tenha registrado alta no faturamento em julho, mas que no acumulado do ano as vendas permaneçam no vermelho. Ações de empresas como Magazine Luiza, Via Varejo e B2W podem ser influenciadas por esse indicador, caso ele venha melhor que o esperado.

Outro termômetro para os investidores será o desempenho do setor de serviços. Na sexta-feira (dia 11), o IBGE divulgará os números referentes a julho e, assim como para o varejo, é esperado que o setor tenha tido crescimento no mês. “Os serviços representam mais de 70% do PIB brasileiro, então os investidores devem atentos aos resultados”, diz o analista da Toro.

Ele diz que os dados do varejo e de serviços são observados de perto, pois indicam a capacidade de recuperação da economia e em qual etapa da retomada o Brasil está.

Petróleo

Ao longo da semana, os dados de estoque mundial de petróleo e da atividade das refinarias dos Estados Unidos serão divulgados. Embora a cotação da commodity esteja em alta nos últimos meses, esse movimento só será consistente se os estoques continuarem em baixa. Tudo isso é relevante para os resultados da Petrobras, que teve as receitas penalizadas no segundo trimestre pela queda nas cotações do barril de petróleo no mercado internacional.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.