Quatro em cada dez brasileiros desempregados perderam seus empregos de março em diante, aponta pesquisa Datafolha encomendada pelo C6 Bank e divulgada nesta quinta-feira (6). Segundo o levantamento, a perda de emprego durante a pandemia é mais acentuada nos estados do sul do Brasil, nas cidades do interior, e entre os brasileiros com renda entre um e cinco salários mínimos.

A pesquisa mostra que houve impacto também para quem conseguiu se manter empregado. Cerca de um terço dos assalariados passou a receber menos. Nas classes A e B, a redução na remuneração atingiu 20% dos trabalhadores. Já nas classes C, D e E, o impacto foi maior, e a queda nos vencimentos afetou 40%.

“O impacto da pandemia sobre o mercado de trabalho aprofunda desigualdades, ao lançar, proporcionalmente, mais pretos, pardos e pobres ao desemprego e à informalidade”, diz Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha.

A pesquisa ouviu 1.503 pessoas das classes A, B, C, D e E de todo o Brasil. As entrevistas foram realizadas por telefone entre 6 e 10 de julho, e a margem de erro é de 3 pontos porcentuais.

Ansiedade e incerteza

A crise financeira tem efeitos psicológicos negativos, sobretudo nas mulheres. 71% das brasileiras dizem estar mais ansiosas por conta de questões financeiras, contra 63% dos homens. São elas também que estão mais estressadas no trabalho: 59% das mulheres afirmam estar mais ansiosas por questões profissionais, versus 49% dos homens.

As explicações para a ansiedade estão na renda menor e nas dívidas crescentes. Enquanto metade dos brasileiros da classe C disse que atrasou pagamentos ou renegociou dívidas, 34% das pessoas das classes A e B tiveram de se preocupar com isso. Essa proporção sobe para 48% entre pretos e pardos, contra 40% dos brancos. Considerando a base total de entrevistados, 69% dos brasileiros cortaram ou reduziram gastos pessoais ou gastos com a família.

A necessidade do corte de despesas pode ter razões que vão além da pandemia. “Historicamente, pessoas com menor renda já enfrentam, além das dificuldades para atender às necessidades básicas da família, acesso restrito à educação financeira. Isso torna difícil planejar-se até mesmo para as pequenas emergências do dia a dia, como um acidente ou problema de saúde”, diz Liao Yu Chieh, educador financeiro do C6 Bank. “Com uma pandemia agravada por uma retração econômica, esse é o grupo que vai sentir na pele e no bolso todos os efeitos da crise.”

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