O céu é o limite para os fundadores da Wolo TV, plataforma de streaming de conteúdos negros. Depois de estrear sua primeira produção própria em dezembro de 2020, a Wolo quer ganhar o mundo. Para desbravar outros territórios, a plataforma vai focar primeiro em países de língua portuguesa, como Portugal, Angola e Moçambique

Mas o cofundador e CCO da Wolo TV, o ator e diretor Licínio Januário, diz que a língua não é uma barreira para expansão do serviço streaming on demand. Por isso, ele diz que a Wolo vai começar a ir para outros países já neste mês.

Os passos do plano de expansão da Wolo foram acelerados depois dela ser uma das 12 selecionadas pelo Google para receber investimentos na quarta leva do Black Founders Fund, iniciativa destinada a fomentar o afroempreendedorismo no Brasil.

Leia abaixo entrevista de Januário para o 6 Minutos:

Conta um pouco da história da Wolo. De onde surgiu a ideia de ter um streaming dedicado a narrativas negras?

A Wolo surgiu depois da análise de que existe um gap enorme no mercado audiovisual e de entretenimento. O Brasil é um país indígena de berço e preto em termos numéricos, pois reúne a segunda maior população negra fora da África. Mas sua produção audiovisual não traz narrativas negras nem é protagonizada por pessoas negras.

Isso não é só aqui, acontece em qualquer parte do mundo. Esse gap foi o ponto de partida para a Wolo. Queremos ser uma plataforma de conteúdo negro da América Latina para o mundo inteiro.

Há demanda por esse tipo de conteúdo?

O consumidor quer esse tipo de conteúdo. Não existe nada mais pop que Beyoncé. Existem outras plataformas investindo no mundo negro.

Como vocês divulgam seu conteúdo?

Até agora, nosso maior meio de comunicação é o Instagram. É de lá que a gente converte o público para nossa plataforma, que ainda é web, mas é mobile friendly.

E como vocês vão chegar a outros países?

Estamos planejando para este ano ainda lançar um aplicativo para celular e para smart TVs. Temos intenção de expandir para o mundo inteiro. Tivemos acessos de 27 países, acessos orgânicos, sem muito investimento. Essa barreira da língua é um detalhe, não é nada, pois o mundo quer consumir conteúdo negro.

E como colocar isso de pé?

Agora, com a ajuda do Google, vamos tentar atingir grandes números, chegar a 1 milhão de pessoas na plataforma por meio da expansão para aplicativos de celular e smart TVs. Vamos conseguir potencializar nosso alcance. E desse 1 milhão, esperamos converter para 200 mil pagantes da plataforma. Hoje, temos conteúdos gratuitos e pay per view.

O que mais que a parceria com o Google trouxe para vocês?

Além do aporte, o mais legal da mentoria é ter um parceiro para nossos projetos mais ambiciosos: a Wolo quer dominar o mundo e levar seu conteúdo para o mundo. Essa parceria nos traz ferramentas pra conseguir atingir esse objetivo, melhora o processo de aceleração.

Quando começa essa expansão?

Começa agora em setembro com a estreia de nossa série original A Casa da Vó em Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Portugal.

O que mais pode ser feito para acelerar a Wolo?

O caminho que pode acelerar em 10 anos são as marcas entenderem a importância de injetar dinheiro de mídia e marketing em plataformas como a Wolo. Usar a grana que eles colocam nos canais tradicionais e colocar um pouco em serviços como o nosso. Diversidade não é só colocar corpos negros para vender produtos, é ter um olhar horizontal.

Quais os planos para 2022?

A Wolo quer produzir em grande escala, fora do eixo Rio-São Paulo. Entendemos que não é nesse eixo que vamos crescer, porque já está saturado, as startups estão migrando para o Nordeste.

E de onde vem o nome Wolo?

É uma expressão que alguns países, como Angola, usam. Não tem um significado próprio, é um grito de felicidade, de alegria, de que só se vive uma vez. Escolhemos pela relação afetiva e pela sonoridade. É legal ouvir a galera falando Wolo.

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