Alerta de spoiler: criminosos vestem equipamento de mergulho para encarar um cofre de ouro inundado dentro do Banco da Espanha. Poderia ser um filme de James Bond, mas é a série La Casa de Papel, da Netflix.

Então existe mesmo esse dispositivo de segurança? O que parece um roteiro descolado da realidade se baseia em defesas existentes dentro do banco central espanhol. A instituição em Madri tem um compartimento dentro da caixa-forte que é inundado se ladrões de ouro conseguirem entrar. E este é apenas um dos obstáculos contra os larápios.

O cofre de verdade é igual ao da série? Não exatamente. Os criminosos da terceira temporada de La Casa de Papel passam por uma porta blindada para chegar ao ouro. No mundo real, são três portas de aço. A primeira e maior delas pesa 16,5 toneladas e seu encaixe é tão perfeito que um fiapo impede que se feche. Passada a porta, existe um fosso de elevador com 35 metros que chega a uma antessala, que leva a uma ponte levadiça e à segunda porta blindada. É esse local que inundaria se ladrões conseguissem ultrapassar a primeira porta, acionando o sistema de segurança.

Alguém já tentou invadir esse cofre? Desde que a obra foi concluída, em meados da década de 1930, nunca houve “tentativa de entrada não autorizada”, segundo o Banco da Espanha.

Conte-me um pouco sobre a série. Nas duas primeiras temporadas, o bando invade a Casa da Moeda para imprimir milhões de euros. Na terceira, o alvo é o banco central, pelo ouro e para pressionar autoridades a libertar um dos seus. Manifestantes rodeiam o banco central, atiçados pelo Professor, que pede que os espanhóis venham em massa para apoiar o que ele chama de “resistência”.

Esse ressentimento com o banco existe na vida real? Há um tanto de verdade na revolta exibida no vídeo. Muitos espanhóis ainda ressentem o fato de o banco central não ter impedido práticas displicentes de empréstimo que alimentaram a disparada do mercado imobiliário e sua subsequente derrapada.

Esse ressentimento diminuiu diante da recuperação da economia e o comandante do banco central, Pablo Hernández de Cos, tem trabalhado para melhorar a reputação da instituição. Diferentemente da série, ele não em cinco guarda-costas armados como guerrilheiros. As cenas não foram filmadas no Banco da Espanha, mas a 3 quilômetros dali, no Ministério de Obras Públicas.

 

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