Após meses de tarifas lá embaixo por causa da pandemia de coronavírus, que fez a demanda por viagens de avião se retrair de forma violenta, as companhias aéreas estão aumentando preços.

Apesar de ainda estarem bem abaixo das praticados no ano passado, as tarifas aéreas subiram 24% em novembro na comparação com outubro, em uma alta que puxou para cima o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) do mês passado.

O aumento registrado pelo índice do Ibre FGV não está relacionado com fatores sazonais, segundo o coordenador do IPC, Paulo Picchetti.

“Esse movimento está relacionado a uma recomposição da queda muito grande das tarifas aéreas por causa da pandemia”, afirma. “O setor ficou paralisado desde março, e os preços desabaram. Agora, aos poucos, os preços estão voltando. As companhias estão tentando recuperar parte dos prejuízos”.

Dados da plataforma de buscas e comparação de passagens Kayak nas tarifas praticadas para voos em dezembro mostram que esses aumentos estão ainda maiores.

No caso das rotas entre São Paulo e Salvador, por exemplo, o preço médio praticado para este mês é de R$ 1.019, uma disparada de 57% em relação aos voos de novembro. Entre São Paulo e Recife, a tarifa média subiu 56% na mesma comparação.

DESTINOS PARTINDO DE SÃO PAULO VALOR MÉDIO EM NOVEMBRO, EM R$VALOR MÉDIO EM DEZEMBRO, EM R$VARIAÇÃO, EM %
Florianópolis52377447.9
Fortaleza790115546.2
João Pessoa954135241.7
Maceió970134638.7
Natal927131942.2
Porto Alegre59479032.9
Porto Seguro927131341.6
Recife730113956.0
Rio de Janeiro52373640.7
Salvador649101957
Fonte: Kayak

A ausência do passageiro a negócios

Além do fato de a pandemia ter afastado os passageiros de turismo, as companhias aéreas enfrentam um problema ainda maior: a ausência, que vem se mantendo, dos viajantes a negócios, que costumavam responder por mais de 60% dos voos domésticos no país.

Esse impacto, inclusive, pode ser permanente, já que o uso da tecnologia substitui, em muitos casos, encontros pessoais.

Para Gervásio Tanabe, diretor executivo da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), o passageiro corporativo dava previsibilidade e ajudava as companhias aéreas a balancearem os custos, garantindo tarifas mais acessíveis a todos.

“O passageiro a turismo está pagando por essa deficiência no mercado corporativo”, aponta ele. “O viajante a negócios tem maior frequência de viagens. Mas hoje, se você pega um voo, vai encontrar um número muito maior de famílias viajando, ou passageiros sozinhos a lazer”.

De acordo com o executivo, o setor está trabalhando com uma receita 75% menor do que a registrada em 2019, segundo dados da entidade, que representa 29 agências e responde por um terço do mercado de viagens corporativas..

“Essa alta nos preços não é porque este é um período de férias. A composição de perfis de passageiros está com um buraco, que é o mercado corporativo, que ajudava a equilibrar os custos das empresas”.

Para especialistas no setor, essa é a tendência daqui para a frente. Após um primeiro movimento de fortes descontos e promoções para atrair passageiros ainda ressabiados, as empresas áreas terão que aumentar seus preços no longo prazo para conseguir cobrir custos e continuar operando.

“Quando as vacinas começarem a ser aplicadas, talvez algumas viagens de negócios voltem a acontecer. Mas é um cenário sem dúvida desafiador”, avalia Tanabe.

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