Com a loucura do nosso dia a dia, sempre carregado de pressões pessoais e profissionais, muita gente tem sonhado em largar tudo (mesmo que momentaneamente) e realizar uma longa viagem pelo mundo.

Tirar um período sabático para curtir a vida e conhecer novos lugares é, logicamente, algo desafiador: você precisa ter bastante tempo disponível e dinheiro no bolso (vale lembrar que, para que seja realmente sabática e não assemelhe a simples férias, a viagem precisa durar pelo menos alguns meses).

Mas trata-se de uma empreitada que pode renovar qualquer pessoa física e espitualmente – e fazê-la voltar para casa em um estado de ânimo extremamente elevado.

A seguir, indicamos cinco tipos de viagem que combinam com períodos sabáticos e que podem dar uma boa renovada na sua vida.

Viagem cultural

Realizar uma longa viagem focada em alta cultura pode ser um grande investimento: você irá voltar para casa mais intelectualizado, mais sensível e com uma visão mais rica sobre o mundo.

O Hermitage, em São Petersburgo (Rússia), é um dos maiores museus da Europa (e do mundo)
Crédito: Shutterstock

A Europa é, sem dúvida, um dos melhores lugares do planeta para fazer este tipo de jornada: reserve pelo menos dois meses para explorar os países do Velho Continente que são donos de grandes museus, teatros e casas de espetáculos musicais –e que são capazes de envolver qualquer um com as mais fantásticas expressões artísticas já criadas pelo homem.

Em Madri, por exemplo, se localizam os museus do Prado e Reina Sofía: o primeiro abriga quadros de alguns dos maiores gênios da história da pintura europeia, como Rubens, Goya, Tintoretto e Caravaggio. O segundo, por sua vez, tem uma coleção impressionante de pintores espanhóis do século 20, como Picasso, Dalí e Miró.

Já na Itália, é possível fazer uma viagem pela história do Renascimento ao visitar, na cidade de Florença, museus como a Galleria degli Uffizi (com obras de Leonardo da Vinci e Botticelli) e a Galleria dell’Accademia (onde está a estátua “Davi”, uma das obras-primas de Michelangelo).

Em Paris, você pode passar uma semana apenas visitando os magníficos museus da cidade (como o Louvre e o Musée d’Orsay), enquanto em Viena, na Áustria, existe a oportunidade única de ouvir Mozart sendo tocado de maneira magistral em casas de espetáculos como a Wiener Musikverein.

E o que dizer da Rússia, onde em Moscou há o Teatro Bolshoi (casa do balé mais famoso do planeta) e, em São Petersburgo, se destaca o Hermitage, um dos maiores museus do mundo e com relíquias incalculáveis que vão do Egito antigo à arte russa do século 19.

Viagem baladeira

E que tal largar o trabalho ou os estudos por alguns meses para se jogar na gandaia em alguma região de perfil boêmio do mundo?

A Festa da Lua Cheia, que acontece todo mês na ilha de Ko Phangan, na Tailândia, é uma das baladas mais famosas do mundo
Crédito: Parkpoom Kotcharat/Shutterstock

Hoje, a Tailândia é um país que fascina viajantes festeiros de todos os cantos do globo.

No litoral do país, existem balneários que, durante o dia, oferecem praias ensolaradas e paradisíacas e, à noite, são tomados por baladas ensandecidas e turbinadas pelo endiabrado rum local SangSom.

Na ilha de Ko Phangan, por exemplo, é realizada mensalmente a Festa da Lua Cheia (internacionalmente conhecida como Full Moon Party), que reúne dezenas de milhares de turistas sobre a areia da praia e atravessa a madrugada com música eletrônica, shows de pirotecnia e clima de pegação.

Já o balneário de Phuket abriga, junto com sua enorme infraestrutura hoteleira, a região de Patong, dominada por animadas discotecas e barzinhos que podem entreter diversas noites de qualquer viagem.

E, longe do litoral, fica a lendária capital Bangcoc, dona de alguns dos recantos mais boêmios da Ásia, como a rua Khao San Road, frequentada por mochileiros do mundo inteiro e com uma agenda interminável de noitadas insanas.

Da Tailândia ainda é possível voar (de maneira relativamente fácil) para outros países asiáticos com destinos festivos, como a Indonésia (onde se localizam os animadíssimos balneários de Bali e Gili Trawangan). Dá para passar pelo menos três meses na região só pulando de festa em festa.

Viagem por países desconhecidos

Pode ser também interessante fazer uma jornada que passe por alguns dos países mais desconhecidos do mundo.

Você já ouvir falar de Palau? Ou de Tuvalu? E Kiribati?

Palau, é famosa por suas paisagens surreais, com ilhas verdejantes cercadas por água cristalina
Crédito: Shutterstock

Pois bem: são todas nações que ficam no oceano Pacífico, recebem um número ínfimo de turistas estrangeiros anualmente e que, acredite se quiser, abrigam paisagens litorâneas lindíssimas.

Tuvalu, por exemplo, é um arquipélago que recebe cerca de 2.000 visitantes internacionais por ano (para efeito de comparação, a França é visitada por mais de 80 milhões de forasteiros anualmente) e exibe praias selvagens que são banhadas por uma água azul-turquesa.

Palau, por sua vez, é célebre por suas paisagens surreais, com ilhas verdejantes cercadas por água cristalina e o lago Ongeim’l Tketau, onde turistas nadam no meio de milhares de águas-vivas (que pertecem a uma espécie inofensiva ao ser humano).

O arquilágo de Kiribati, por sua vez, tem um domínio marítimo que abrange milhões de km², onde os visitantes encontram ilhas lindíssimas e completamente selvagens, perfeitas para escapar de tudo e de todos.

Viagem para trabalhos voluntários

Em diversos lugares do mundo, há programas onde viajantes podem se engajar em trabalhos voluntários para ajudar pessoas necessitadas, animais em situações de risco ou áreas de natureza que estejam sob ameaça.

Crédito: Divulgação/La Tortuga Feliz

São experiências que podem transformar uma viagem sabática em um meio para contribuir para um mundo melhor.

A África do Sul, por exemplo, tem programas assistenciais que ajudam crianças órfãs cujos pais morreram por causa do HIV (um problema de saúde altamente disseminado no país de Nelson Mandela).

Já na Costa Rica, há projetos que cuidam de tartarugas-marinhas que se reproduzem no país e que se encontram ameaçadas por causa da pesca e da poluição.

E que tal trabalhar em uma iniciativa de preservação da vida selvagem africana, como este programa no Zimbabwe?

Viagem espiritual

Uma viagem espiritual combina muito com um período sabático.

Trata-se, afinal, de um tipo de jornada que coloca a pessoa em intensos processos de autoconhecimento e que pode ajudá-la a voltar diferente e (por que não?) mais evoluída ao Brasil.

O mosteiro budista Wat Suan Mokkh, na Tailândia
Crédito: Saeng Tawan/Shutterstock

Na Índia, por exemplo, existem os ashrams, que são espécies de retiros espirituais liderados por gurus –e onde os frequentadores passam dias praticando ioga, meditação e se engajando em discussões filosóficas que podem ser extremamente iluminadoras.

É preciso, porém, tomar cuidado na hora de esolhar um ashram, pois há muito charlatismo neste “mercado”. O Amrita Puri, ashram da região de Kerala, liderado por uma mulher, é um dos mais célebres da Índia.

Já a Tailândia tem retiros budistas nos quais os visitantes se hospedam para passar dias em práticas de meditação e, às vezes, em lei de silêncio absoluto. São locais muito buscados por pessoas que querem vivenciar uma imersão no budismo e se desapegar, ainda que momentaneamente, do agitado mundo que existe para fora dos limites do retiro. O Wat Suan Mokkh é um local na Tailândia onde é possível ter esta experiência.

E uma viagem espiritual não precisa ser necessariamente feita dentro de um templo religioso ou filosófico: realizar uma longa trilha sozinho através de lindas paisagens, durante a qual você possa refletir sobre a vida, admirar com calma o mundo à sua volta e se superar para concluir o percurso, pode ser uma experiência de enriquecemento pessoal inestimável.

As trilhas do Caminho de Santiago, na Espanha, são percursos que propiciam este tipo de jornada para os viajantes.

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