O Festival de Cinema de Veneza abriu as portas ao público nesta quarta-feira (2). Ele é o primeiro grande evento presencial desde o início da pandemia de coronavírus. Enquanto salas de cinema seguem fechadas e filmes sem previsão de estreia, a mostra é um respiro para a indústria cinematográfica: serão exibidos 64 novos longas, entre eles o documentário brasileiro “Narciso em Férias”, sobre o exílio de Caetano Veloso durante a ditadura militar.

Neste ano, o festival adotará uma postura casual. As tradicionais chegadas ao Lido de Veneza de barco por atores foram suspensas neste ano, e muitos artistas, diretores e produtores participarão de painéis e coletivas de imprensa via Zoom. Grandes produções de Hollywood, que costumam usar o festival como vitrine, ficaram de fora da programação, com medo de cravar uma data para que as produções chegarem no mercado.

“Estamos aqui por dois motivos. Primeiro, para mostrar solidariedade aos outros festivais, aos nossos colegas que não puderam realizar seus eventos”, disse Alberto Barbera, diretor do Festival de Veneza na abertura do evento. “Entre os diretores que estão presentes hoje, alguns tiveram que tomar essa decisão. Cannes não acontecer, nem Locarno ou Karlovy Vary.”

Festival na pandemia

Poucos jornalistas de fora da Europa acompanharão o festival presencialmente. Repórteres brasileiros, por exemplo, estão proibidos de entrar na Itália, devido ao alto número de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil. Já os que vierem do Reino Unido e dos países signatários do Tratado de Schengen precisam apresentar um teste negativo 72 horas antes da partida, fazer um teste na chegada e outro cinco dias depois. Gregos, espanhóis e croatas também precisam apresentar um teste negativo 72 horas antes da partida. Búlgaros e romenos precisam cumprir quarentena de 14 dias ao entrar na Itália.

As medidas de prevenção culminaram na substituição de Cristi Puiu pelo ator Matt Dillon no júri do festival — especialmente após o cineasta romeno reclamar do uso obrigatório de máscaras no Festival de Cinema da Transilvânia, que se estende à Veneza nos tapetes vermelhos e sessões. Muitos filmes, inclusive, terão sessões duplas ou triplas, a fim de respeitar a lotação máxima das salas de exibição, metade da capacidade.

Também será obrigatório o uso de álcool gel na saída e entrada de todos os eventos do festival, e os restaurantes funcionarão apenas com reserva.

Leão de Ouro

Em 2020, apenas 18 produções concorrerão ao Leão de Ouro, prêmio máximo do festival, ao invés dos costumeiros 21. A atriz australiana Cate Blanchet presidirá o júri. Entre os competidores, o mexicano New Order é o único representante do cinema latino-americano; outros dez são dirigidos por europeus, dois são dos Estados Unidos e cinco da Ásia.

 

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