Está planejando a viagem de férias de fim de ano? Prepare o bolso, pois os preços subiram – e não foi pouco. No acumulado dos últimos 12 meses, as passagens aéreas ficaram 56,81% mais caras, segundo dados do IPCA. Mas levantamento exclusivo do Kayak para o 6 Minutos mostra que essa alta pode ser mais suave, dependendo do destino da viagem.

O levantamento dos destinos nacionais e internacionais mais buscados pelos brasileiros mostra que a maioria das viagens para dentro do Brasil ficou mais cara, com exceção de Recife e Rio de Janeiro.

Já alguns destinos internacionais estão mais baratos – vale lembrar que os brasileiros ainda enfrentam restrições sanitárias de entrada em determinados países. Mas outros destinos subiram muito – caso de Montevidéu, com alta de 124%.

Destinos internacionais que ficaram mais baratosPreços médiosVariaçãoDestinos internacionais que ficaram mais carosPreços médiosVariação
OrlandoR$ 3.913-28%MontevidéuR$ 4.851+124%
MadriR$ 3.708-22%Buenos AiresR$ 2.668+32%
ParisR$ 4.128-21%CancúnR$ 4.459+6%
LisboaR$ 4.104-19%MiamiR$ 4.512+1%
PortoR$ 4.013-14%
Nova YorkR$ 4.668-13%

A pesquisa considera período de buscas por passagens realizado de 20 a 30 de setembro para embarques entre 1º de novembro e 31 de dezembro. A comparação de preços leva em conta exatamente os mesmos períodos de 2021 com 2019. O Kayak não faz a comparação com 2020 (veja tabelas completas abaixo).

Destinos nacionais que ficaram mais carosPreços médiosVariaçãoDestinos nacionais que ficaram mais baratosPreços médiosVariação
Porto AlegreR$ 1.17229%RecifeR$ 1.396-2%
Porto SeguroR$ 1.62625%Rio de JaneiroR$ 902-1%
FortalezaR$ 1.39710%
São PauloR$ 8857%
MaceióR$ 1.8936%
FlorianópolisR$ 1.0246%
NatalR$ 1.7006%
SalvadorR$ 1.1553%

Buscas no Google

Se depender do interesse das pessoas, vai ter viagem de férias, sim. O Google Trends identificou que as buscas por voos cresceram 65% em agosto desde ano em relação ao mesmo mês em 2020. No mesmo período, a procura por pacotes de viagens cresceu 72%.

Outros termos, como hospedagem (+38%) também registraram crescimento. Entre os termos que acompanham as buscas, aparecem “barato” (+119%) e “promoção” (+26%). A data mais buscada para 64% dos brasileiros é o Ano-Novo, seguida do Natal.

“O interesse pelo tema viagens vem subindo sem interrupção há seis meses, mas ainda não retornou ao nível pré-pandemia. O ritmo da vacinação e o relaxamento do isolamento social, despertaram a vontade nas pessoas, que começam a se planejar. Contudo, a alta do dólar tem um impacto na economia como um todo e pode limitar o poder de compra”, afirmou Monica Carvalho, diretora de negócios para o segmento de viagens, mobilidade, serviços financeiros, telecomunicações e entretenimento do Google Brasil.

Para a Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), o setor de turismo cresce, mas com cautela.
“O turismo segue numa evolução contínua, mas ainda cautelosa. Ao se comparar o desempenho dos últimos dois meses, a constatação de que 100% das operadoras da Braztoa venderam em agosto, reforça o caminho de recuperação dessas empresas. Apesar de não estarem com o volume de vendas dentro do esperado, elas contam com o aquecimento da demanda por viagens”, disse o presidente da entidade, Roberto Haro Nedelciu.

Para o presidente de Projetos Especiais do Grupo Águia, Paulo Castello Branco, as pessoas perceberam que viajar é uma experiência rica e que traz uma melhora na qualidade de vida, o que deve ser um impulso, mesmo com as tarifas altas.

“As pessoas estão dispostas a gastar um pouco a mais para conhecer novos destinos. O crescimento virá de forma gradual e os setores aéreo e de transporte rodoviário vão ver a retomada mais rapidamente. Os seguintes serão o hoteleiro e de eventos, ainda que a alta do dólar influencie no preço das passagens. As perspectivas para 2022 são de retomada em todas as atividades ligadas ao turismo”, afirmou Paulo.

Ameaças à retomada

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), que representa as companhias aéreas, diz que o setor vem sendo pressionado pelo aumento de custos. A entidade destaca o aumento de 91,7%, no segundo trimestre, no preço do querosene de aviação.

“Também preocupam os sucessivos recordes de cotação do dólar em relação ao real, que podem ameaçar uma retomada mais consistente da aviação comercial brasileira e vêm pressionando os preços das passagens aéreas”, diz a Abear em comunicado.

Para Nedelciu, da Braztoa, o faturamento médio de 30% das operadoras deve ser recuperado no primeiro semestre de 2022. Para outras 22%, os índices normais de vendas serão retomados no segundo semestre de 2021, o mesmo percentual de empresas que responderam que a recuperação virá no segundo semestre do próximo ano. Outros 19% apontaram 2023 para a volta ao patamar pré-pandemia.

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