O avanço da vacinação contra a covid-19 está aquecendo o setor aéreo, que foi um dos mais prejudicados durante a pandemia. Na Latam, a retomada do turismo doméstico permitiu que a companhia abrisse 1.000 vagas para funcionários de aeroportos e expandisse a malha aérea.

Em entrevista ao 6 Minutos, Diogo Elias, diretor de vendas e marketing da Latam Brasil, contou que os passageiros mudaram a forma de planejar as viagens.

“O futuro ficou mais incerto. As pessoas não sabem se em dezembro o destino para qual gostariam de ir vai estar aberto ou fechado. Por isso, a antecedência da compra ficou mais curta”, disse ele.

Leia entrevista completa:

As viagens domésticas estão voltando mesmo?

Elas vão bem. Resumindo rapidamente como foi desde o início da pandemia até hoje: marcou e abril foi um vale, despencou. Depois elas começaram a voltar e nossa oferta chegou a 60%, 65% em janeiro. Aí veio a segunda onda neste ano, e caiu de novo. E em maio começou uma retomada lenta. Em junho e julho, continuou crescendo. Terminamos julho com 75% da oferta de assentos que operamos em julho de 2019. Devemos chegar a dezembro com 93%, praticamente próximo dos 100%.

A demanda vem acompanhando o crescimento da capacidade. E inauguramos destinos novos.

Vocês nunca tinham operado esses destinos ou são destinos que tinham sido fechados na pandemia?

São destinos novos. Só Petrolina, que operamos em algum momento de 2010. Mas os outros são destinos que estavam no nosso planejamento. A gente vinha num plano de crescimento organizado, mas aí veio a pandemia e começou a fechar tudo.

Tínhamos planos para outras bases, estudamos e achamos que os destinos que faziam mais sentido de serem inaugurados são esses que anunciamos agora (Comandatuba, Jericoacoara, Juazeiro do Norte, Petrolina e Vitória da Conquista). Pode ser que anunciemos outros em 20220.  No internacional, anunciamos Cancun, que não operávamos desde 2014.

Vai faltar voo nas férias de janeiro? É preciso se desesperar?

A Latam está colocando mais oferta. Quando a gente coloca mais oferta é porque a oferta existente não está suficiente. Na média, não vamos estar lotados. Querer, a gente quer que os voos estejam 100% ocupados. Mas não vejo esse colapso acontecendo. Existem outros fatores que pesam. O turismo de lazer se recupera mais rapidamente, porque não é algo que você desfruta por meio digital. O corporativo tem uma curva menos acentuada porque é possível substituir pelo digital.

E o turismo internacional? Quando ele se recupera?

Por enquanto, ele está bem restrito para os brasileiros. Dependemos da abertura das fronteiras dos outros países.

A gente está em agosto. Não é agora que as pessoas começam a planejar o fim de ano?

O planejamento sempre foi assim. Mas a pandemia mudou esse hábito. O futuro ficou mais incerto. As pessoas não sabem se em dezembro o destino para qual gostariam de ir vai estar aberto ou fechado. Por isso, a antecedência da compra ficou mais curta. Exemplo: o voo para Cancun foi lançado faltando 26 dias para decolar e lotou. Viagens que eram planejadas antes com três meses de antecedência agora são decididas mais em cima da hora. Os planos das pessoas estão em aberto, elas não sabem se poderão viajar no fim do ano, se o destino estará aberto, qual vai ser a ocupação dos hotéis.

O que acontece se o passageiro comprar um destino que estiver fechado na data da viagem?

Podemos vender voos hoje para destinos que estão fechados. Se dois meses antes, o destino continua fechado, cancelamos o voo e aplicamos a regra prevista para essas situações de reembolso e remarcação. Se o voo foi cancelado pela empresa, o passageiro tem flexibilidade de reembolso e remarcação. Mas se é o passageiro que cancela, aí aplica outra regra, em que pode ser cobrada diferença tarifária para remarcação.

Com tanta procura, dá para saber se vai ter Black Friday?

A gente sempre faz. E a gente não faz promoção para uma data específica, ela fica aberta para vários meses. Se dezembro e janeiro estiverem cheios, na Black Friday podemos fazer promoção para fevereiro e março, por exemplo.

Os aeroportos vão estar mais cheios?

Se a gente já retomou 75% da oferta e o restante da indústria também está ampliando a oferta, o movimento nos aeroportos vai ficar maior. Mais oferta é mais passageiro, mais avião para voar.

E vocês têm funcionários para atender esse aumento de passageiros?

A gente contratou mais tripulação de cabines e vamos contratar mais 1.000 funcionários de aeroportos até dezembro.

Diogo Elias, diretor da Latam
Crédito: Divulgação

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