Fevereiro é sempre uma das melhores épocas para as empresas que vendem bebidas alcoólicas. Não só pelo calor e pelas férias, já que o mês é marcado por uma das mais importantes datas do calendário de feriados: como bem lembra Jorge Ben Jor, em fevereiro tem Carnaval.

Se antes a cerveja era rainha absoluta do consumo em blocos e festas de Carnaval, agora os consumidores têm dividido a preferência com outras bebidas. Mas como garrafas e copos de vidro não trazem a comodidade e segurança necessária para o Carnaval (especialmente para os blocos de rua), a aposta das marcas tem sido vender drinques e vinhos em lata de alumínio, no mesmo formato tradicional das cervejas.

Pode me contar um pouco mais? O principal sinal de que as marcas estão se atentando ao fato de que a cerveja não tem mais a exclusividade da preferência do consumidor é o movimento da gigante Ambev. A cervejaria, que patrocina os carnavais das maiores cidades brasileiras, lançou a Skol GT (sim, as letras são em referência ao drinque gin tônica).

“Identificamos que havia uma demanda entre os consumidores de drinques por uma bebida que tivesse todo o sabor da gin tônica, mas em uma embalagem fácil de levar para qualquer lugar, especialmente em um bloco de rua. Foi assim que nasceu a ideia”, contou ao 6 Minutos Marcelo Tucci, diretor de future bevs da Ambev — a área é uma espécie de identificadora de tendências da cervejaria.

Ele diz que a bebida estará presente em todas as cidades que têm o Carnaval patrocinado pela Ambev, e o preço variará em cada lugar. Nos blocos paulistanos, a Skol GT custará R$ 8.

Por que a lata? O passo da Ambev abre espaço para o consumo desse produto se massificar, mas várias marcas menores já tinham inovado ao enlatar bebidas mais “sofisticadas”.

Para os consumidores, a questão-chave é a comodidade: a lata pode ser mais facilmente transportada, não quebra, preserva o líquido e refrigera mais rápido. Para as empresas, as vantagens são: custo menor de envase (em relação ao vidro) e ganho de volume, já que cada consumidor tende a comprar mais latas.

“Não só no carnaval, a lata é uma mão na roda para o consumidor. Você pode levar para o bloco, para a festa, para a praia ou para um final de semana no barco”, diz Augusto Simões Lopes, fundador da Jungle Gin. A marca que nasceu no interior de São Paulo em 2016 produz os drinques gin tônica, negroni e rabo de galo em garrafa. Os drinques vêm prontos, sem que seja necessário fazer qualquer mistura.

No primeiro semestre de 2019 surgiu a ideia de lançar o gin tônica e o negroni em lata. “Quando lançamos, víamos esse consumo como de nicho. Mas é uma questão de tempo até o drinque em lata virar commodity, assim como outras bebidas”, diz o fundador da Jungle Gin. Ele pondera que é preciso separar o produto artesanal do industrial . Além da diferença de qualidade para um drinque preparado na hora, o preço já cumpre um pouco esse papel.

A lata do gin tônica Jungle Gin custa R$ 14,99, e a do negroni Bitter&Co (marca que é do mesmo grupo), R$ 39,90. Mas se engana quem pensa que o preço afasta os foliões. Lopes contou que as latas da marca estiveram em um bloco de carnaval, na Zona Oeste de São Paulo, e que a aceitação foi boa. “A precificação foi muito bem aceita pelo consumidor, justamente por ser um produto considerado premium.

Por que não criar drinques em long-necks? Outra marca que está surfando na disseminação do gin tônica é a Ginta. A empresa do Rio de Janeiro já nasceu mirando a ideia da lata. “Chegamos a cogitar a produção em garrafa, mas o vidro não atende aos critérios que consideramos mais importantes, que são praticidade e qualidade. O manuseio é difícil, a reciclagem é complexa e o custo é mais alto. Além disso, a incidência de luz e calor pode alterar as características da bebida”, conta Jonas Maia, sócio da Ginta.

A Ginta é uma das marcas que aposta na venda de drinques em lata para o carnaval
Crédito: Divulgação

Ele diz que o brasileiro acredita que a bebida engarrafada tem uma qualidade maior, o que não é necessariamente verdade. “No caso do gin tônica, a lata preserva a gaseificação”, observa Maia.

O drinque enlatado da Ginta, lançado no ano passado, tem duas versões à venda: o tradicional (com sabor cítrico) e o ginger (sabor mel e gengibre). A marca esteve presente em quatro blocos de carnaval do Rio e deve aparecer em festas e camarotes durante as comemorações. Cada lata custa R$ 10.

E quem não é fã dos drinques? A latinha é democrática e aceita até mesmo os vinhos. Nesse caso, como conta Leonardo Atherino, um dos fundadores da Vivant, o envase tem um processo especial: “Não injetamos gás carbônico, então nosso vinho em lata não é frisante. Além disso, o líquido não entra em contato direto com o alumínio. Todas as latas têm um revestimento interno, que preserva as características da bebida.”

Nascida como uma vinícola tradicional, a Vivant inovou ao ser o primeiro player do mercado local a oferecer o vinho em lata. São três versões: tinto, rosê e branco. A ideia da lata surgiu depois que Atherino comprou um vinho em uma festa e se viu segurando a garrafa e uma taça toda a noite.

“Eu não conseguia cumprimentar ninguém nem mexer no celular. Foi muito desconfortável. Aí eu pensei que tinha que ter uma forma mais prática de consumir o vinho em ocasiões assim”, ele conta.

As latas de vinho da Vivant, lançadas no começo de 2019, já chegaram a vários lugares: de supermercados até quiosques na praia e na rede de cinemas Kinoplex, no Rio. Mas o Carnaval tem rendido bons frutos.

“Tem sido um mês muito bom de vendas. A venda na rua é difícil, por causa da exclusividade que as grandes marcas têm com as prefeituras, mas fomos procurando formas de driblar isso. Fizemos parcerias com os pontos de vendas próximos dos blocos e tem dado muito certo. O consumidor vai ao mercado para comprar as latas, coloca nos coolers e aí segue para o bloco”, conta o fundador da Vivant.

Além da briga por espaço nos blocos, os vinhos em lata estarão no maior camarote da Sapucaí, no Rio de Janeiro, e em um camarote no Galo da Madrugada, o mais famoso bloco de Recife. As latas são encontradas por R$ 16 cada.

Neste carnaval, os brindes não vão fazer tim-tim, mas vão ter um sabor diferente.

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