A cidade de São Paulo completa 466 anos neste sábado (25). Cidade mais populosa do hemisfério Sul, a capital paulista é tão grande e diversa que o clichê das “várias cidades em uma só” cabe perfeitamente para definir esses 1.521 km² ocupados por mais de 12 milhões de pessoas.

É a São Paulo de tantas ondas de imigrantes, que fazem dela a cidade mais nipônica fora do Japão e que foi tão moldada pelos italianos na transição do século XIX para o XX quanto pelos chineses e coreanos no século XXI. É onde a esfiha dos libaneses, sírios e armênios é uma comida rápida tão presente que faz todo mundo acreditar que ela é um quitute tão encontrável aqui quanto em qualquer cidade “mundo árabe”. É a presença da babel de idiomas dos muitos nigerianos, senegaleses e congoleses nas ruas do centro velho da cidade.

É a terra de muitos nordestinos, que batizam um viaduto no finalzinho da marginal Tietê, mesma via onde está encravado o Centro de Tradições Nordestinas, que irradia a cultura da região com muita comida e música. No meio desse caldeirão de cultura e resistência, SP comporta a cozinha do sertão de Pernambuco no Mocotó, os sabores da baiana Chapada Diamantina na Casa de Ieda e a carne de sol do Seridó potiguar no Jesuíno Brilhante.

Seria possível passar muitos e muitos parágrafos falando de São Paulo e mesmo assim é impossível capturá-la por inteiro. Como a cidade é a sede do 6 Minutos, quase todos nós moramos por aqui, com muitos sendo nascidos e criados em SP. Por isso, resolvemos mostrar um pouco da nossa São Paulo: escolhemos nossos lugares preferidos na cidade para dividir com vocês.

Bianca Alvarenga, repórter do 6 Minutos
Como boa paulistana da Zona Norte e vinda de família interiorana, não pude deixar de honrar minhas raízes. Não consegui pensar em um único lugar para recomendar, então decidi fazer a sugestão de um roteiro para um dia de final de semana. A serra da Cantareira fica, oficialmente, no município de Mairiporã, mas está a pouco mais de 20 quilômetros do centro de São Paulo – no trânsito de um sábado ou domingo comum, isso dá mais ou menos meia hora.

Comece o passeio pelo Horto Florestal (cujo nome oficial é Parque Estadual Alberto Löfgren). O parque tem uma enorme área verde preservada e fica no pé da Serra da Cantareira. Além da trilha que leva ao mirante da pedra Grande, que tem uma vista privilegiada da cidade de São Paulo, o Horto tem outros atrativos, como o Museu Florestal e o antigo Palácio de Verão do Governador. Subir e descer a trilha do mirante leva mais de duas horas, então recomendo que o passeio seja feito cedo.

Se a fome bater, pelas estradas que cortam a serra há várias opções de restaurantes, cafés e empórios – alguns têm decks e mesas externas com vista para a Cantareira. A minha recomendação é afetiva: o restaurante As Véia (conhecido como O Velhão) foi lugar de vários almoços de família. Mas não espere nenhum requinte: a comida é típica do interior, servida em bufê.

A visita vale a pena, porque o restaurante não é o único atrativo do Velhão. O lugar se tornou um complexo turístico, com lojinhas de artesanato e antiguidades, um café, uma pizzaria e três bares. O negócio, que começou lá na década de 70, ainda é comandado pela família fundadora. Mas aqui fica uma dica importante: não deixe de levar dinheiro em espécie. Na última vez que fui ao Velhão, três anos atrás, os cartões de crédito e débito não estavam sendo aceitos – isso porque o lugar fica no meio da serra e o sinal de internet por lá é ruim, o que prejudica o funcionamento das maquininhas de cartão. Li em resenhas mais recentes que a casa passou a aceitar o pagamento com cartões, mas é bom ir prevenido. Se quiser conhecer, antes de visitar, o site oferece um tour completo pelo Velhão.

Daniel Pinheiro, editor do 6 Minutos
O Espaço Itaú de Cinema é uma presença incontornável para quem curte a sétima arte em São Paulo. Ocupando o local que por muitos anos foi o Cine Majestic, na rua Augusta, desde sua criação como Espaço Banco Nacional de Cinema, em 1993, é conhecido por exibir filmes de cineastas menos conhecidos e por trazer obras que fogem do circuito comercial de blockbusters. É o lugar de formação e encontro para muitos cinéfilos na cidade. No entanto, há um cantinho dele que para mim, é ainda mais especial. Do outro lado da Augusta, bem em frente ao irmão maior, fica o “Espacinho”, que é oficialmente chamado de Anexo.

Mais recuado em relação à calçada, ele ainda preserva a cara de uma casa bem espaçosa: na frente, a construção tem uma sala no 1º andar. O térreo é ocupado pela bilheteria e um café muito charmoso, cheio de lugares ao lado das janelas. Você pode tomar seu café por ali mesmo, acompanhado por um pedaço da torta de maçã mais gostosa da cidade. Mas também pode pegar sua bandeja e levar seus comes e bebes para o “quintal” do Espacinho, dominado pelas outras duas salas de exibição e por uma árvore bem frondosa, rodeada por bancos baixinhos com almofadas aconchegantes. É uma ótima maneira de fazer hora até o início da sessão, que traz uma programação ainda menos comercial que a do “Espação”.

Fabiana Futema, editora do 6 Minutos
Sou fã e usuária de carteirinha de diversas unidades do Sesc, mas a minha preferida é a do Belenzinho (zona leste da cidade), que nem é a mais próxima da minha casa. Para começar, lá tudo é espaçoso. Então, mesmo que você chegue em um dia lotado, não vai ficar esbarrando nos outros ao passar por corredores, usar a sala de brinquedos ou entrar em uma exposição.

Mas isso não é o mais importante. O que mais me agrada é que lá tem muita opção de diversão para todas as idades. Tem teatro infantil todo sábado e domingo, a sala de brincar tem brinquedos e interações maravilhosos, as oficinas são estimulantes e acessíveis.

Do lado de fora, tem uma instalação com bolas que as crianças adoram. Pais e filhos são estimulados a jogarem juntos na quadra de tênis. Os shows na comedoria são muito legais. E o que é melhor? Tudo é baratinho, principalmente as comidas.

Uma coisa que algumas pessoas não sabem é que não é preciso ter carteirinha para frequentar esses espaços ou participar das oficinas e brincadeiras. A carteirinha serve para se inscrever em cursos, usar a piscina ou ter desconto na refeição. Para todo o resto, basta chegar.

Guilherme Venaglia, repórter do 6 Minutos
Imagine uma rua em que, em menos de três ou quatro quadras, aconteça simultaneamente um show de stand-up comedy, uma festa de funk, uma reunião de amigos em cadeiras no meio da rua, outra reunião de amigos em um café chique. Não é clichê falar que a Rua Augusta é um logradouro democrático dentro da cidade de São Paulo.

Se a aniversariante capital paulista é conhecida por ser um polo cosmopolita no Brasil, a Augusta talvez seja a principal demonstração desse fenômeno. Na rua e em seu entorno, vendedores ambulantes, barzinhos e barzões. Lanchonetes simples, fast foods e a alta gastronomia. Festas muito, pouco ou nada comportadas. Lojinhas, galerias e shoppings.

Cinemas para assistir aos grandes clássicos do cinema, como escreve o meu amigo e colega Daniel Pinheiro, ou ao blockbuster do momento. Prédios residenciais de baixo, médio e alto padrão. Nas partes mais altas da cidade, a esquina com a Avenida Paulista.

Para baixo, no sentido centro todo o potencial da Praça Roosevelt e em breve do Parque Augusta. No sentido bairro, o caminho a pé para hotéis e restaurantes que figuram entre os mais nobres. Essa é a Augusta. Um lugar onde o simples e o requintado, as diferentes formas de viver e de expressar, convivem e te permitem em apenas três quilômetros escolher entre experiências inéditas e aquelas que mais combinam com você.

Maeli Prado, repórter do 6 Minutos
Uma das melhores lembranças que eu tenho da infância é de visitar as cobras do Instituto Butantan, que fica ali pertinho da USP (Universidade de São Paulo). Pois outro dia levei minha filha de 5 anos ao local para repetir a experiência e descobri que o parque onde fica o instituto oferece muito mais do que isso.

O ingresso de R$ 6 para adultos (crianças até 7 anos não pagam!) dá direito à entrada em três museus (Biológico, de Microbiologia e o Histórico), onde é possível ver e se arrepiar com as serpentes e aranhas e visitar um incrível laboratório com microscópios. Não é muito chegado a répteis e micróbios? O parque de 750 mil metros quadrados é incrível, com trilhas e espaços coletivos para serem aproveitados pela família. Se tornou um dos meus lugares preferidos da cidade.

Sara Abdo, repórter do 6 Minutos
O Bistrô Reserva, restaurante do Reserva Cultural, na av. Paulista, é como um oásis de calmaria e conforto no meio da via mais icônica da cidade: cheia de gente, correria e barulho. Ali, é possível se sentir na cidade e mesmo assim descansar – sim, há épocas em que em São Paulo cansa.

A comida é boa e há uma parede de vidro transparente que deixa a clientela ver gente indo e gente vindo na avenida. A combinação é boa: a São Paulo que nunca para enquanto a gente está parado e comendo bem. O cardápio é simples, boas opções de almoço e jantar, pratos bem montados e uma carta de vinho para todos os bolsos. Detalhe: o restaurante divide o espaço com poucas salas de cinema cult, uma pequeníssima livraria e uma café. Mas esse último é escuro e supercaro – não vale o preço que cobra.

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