“Mulan” tinha para ser outro blockbuster de US$ 1 bilhão para a Disney. Os ingredientes estavam todos ali: uma versão live-action de uma animação de sucesso, adicionada de um elenco recheado de estrelas asiáticas, fotografias de tirar o fôlego e artes marciais.

No entanto, a produção estremeceu a já frágil relação dos Estados Unidos com a China. O filme que custou US$ 200 milhões, estreou na plataforma de streaming Disney+ em 4 de setembro, e chega aos cinemas da China nesta sexta-feira (12) envolto em uma série de controvérsias.

O filme sofre boicote na internet desde o ano passado, quando a atriz Liu Yifei, protagonista do filme, apoiou a repressão aos manifestantes anti-China em Hong Kong. Agora, a Disney está enfrentando problemas por filmar em uma parte da China onde o governo deteve cerca de 1 milhão de uigures étnicos em espaços chamados de “centros de educação voluntária” e, em seguida, agradeceu às autoridades da região nos créditos do filme.

“Viciados na China”

O senador republicano Tom Cotton, do Arkansas, criticou a Disney no Twitter nesta terça-feira, 8, dizendo que a gigante do entretenimento é “viciada em dinheiro chinês e fará qualquer coisa para agradar ao Partido Comunista”.

A China é uma grande fonte de renda para a Disney. Recentemente, a empresa gastou cerca US$ 5,5 bilhões para construir o resort Shanghai Disneyland e expandir seu parque em Hong Kong. O mercado cinematográfico do país também está prestes a se tornar o maior do mundo. Mas com republicanos e democratas concentrados no comércio com o país durante a corrida para a eleição presidencial, a empresa pode continuar no meio do fogo cruzado político.

“Eu não ficaria surpreso se eles fossem convocados a falar no Congresso”, disse Stanley Rosen, professor de ciência política e especialista em China da Universidade do Sul da California.

Bilheteria

O impacto financeiro das controvérsias em torno “Mulan” ainda não é certo. O fechamento das salas de cinema por causa da pandemia de coronavírus levou a Disney a optar por lançar o filme na plataforma de streaming Disney+ — resta saber se a manobra será o suficiente para cobrir o orçamento milionário da produção.

O estúdio não divulgou os números das compras online de “Mulan”, embora dados de terceiros sugiram que houve uma grande demanda. Já os resultados das bilheterias da China, atualmente o segundo maior mercado de filmes do mundo, estarão disponíveis apenas no fim de semana.

Estreia na China

Enquanto muitos chineses aguardam ansiosamente o lançamento de “Mulan”, alguns usuários do Weibo, a maior rede social do país, atrelaram o filme às polêmica de Xinjiang — região autônoma da China.

“As forças ocidentais anti-chinesas que apoiam a independência de Hong Kong e Taiwan estão espalhando ódio contra o governo da China ao gravar em Xinjiang”, disse um usuário.

Rich Gelfond, presidente da rede de cinemas Imax, bastante presente na China, não acredita que as controvérsias políticas influenciem na bilheteria do filme. O longa “Tenet” arrecadou US$ 30 milhões no país no último fim de semana, a maior estréia de um filme dirigido por Christopher Nolan no país.

“Mulan” deverá enfrentar problemas que os estúdios já estão acostumados: a pirataria, já o filme foi primeiro disponibilizado no formato online, e as críticas, que, até o momento, mostram certa reticência do público, de acordo com avaliações do site Rotten Tomatoes.

“Mulan” está previsto para estrear no Brasil nos cinemas, sem data definida. Confira o trailer:

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