Nada de fritadeira elétrica ou cadeira para escritório. Se na pandemia os pontos acumulados em programas de fidelidade viraram eletrodomésticos ou móveis para o home office, o avanço da imunização com as vacinas e a abertura de fronteiras fez os consumidores voltarem a trocar seus pontos de programas de fidelidade por viagens.

A volta desse hábito começou a ser notado a partir do segundo trimestre deste ano, mas ficou mais intensa nos últimos meses.

“Com a reabertura das fronteiras já vimos o aumento do resgate de milhas para passagens aéreas. Isso deve continuar a crescer e se incrementar, principalmente com a permissão de viagens para os Estados Unidos”, disse o diretor da Abemf (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização), Paulo Curro.

A Smiles, programa de fidelidade da Gol e outras 59 companhias aéreas em outros países, está otimista com a volta do uso das milhas com viagens. Segundo Ravel Lage, diretor de negócios aéreos e produtos, as buscas por viagens com milhas cresceram 16% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro.

“A expectativa é alta quando olhamos para os volumes de buscas. Temos performances de níveis pré-pandemia, como em julho, que cresceu 5% em relação ao mesmo mês em 2019. A demanda já estabilizou e deve aumentar. O desejo de viajar continua, principalmente após ficarmos tanto tempo em casa”, afirmou Lage.

As milhas sempre foram uma opção muito atrativa na hora de emitir passagens, na visão do porta-voz Rafael Palácio, gerente de negócios da MaxMilhas, marketplace de troca de milhas por bilhetes e que também atua na área de venda de milhas entre consumidores.

“Nos últimos meses ficou ainda mais vantajoso acumular milhas por conta das promoções recorrentes dos programas de fidelidade dos bancos e das companhias aéreas. É possível encontrar 50%, 70% ou até 110% de bônus ao transferir os pontos do cartão de crédito para as milhas”, disse Palácio.

O executivo da MaxMilhas destaca que o momento é de traçar uma estratégia para potencializar o acúmulo de milhas e assim planejar a viagem.

“As promoções ainda são frequentes por conta do momento de retomada do turismo e porque as companhias estão buscando formas de aumentar a receita para compensar os prejuízos causados pela pandemia. O momento é dos viajantes observarem quantos pontos têm nos programas de fidelidade dos cartões e quantas milhas têm nos programas das companhias aéreas para então definirem o destino da viagem”, explicou o porta-voz da MaxMilhas.

Planejamento ainda é o segredo

Assim como antes da pandemia, para conseguir tarifas mais vantajosas na hora de trocar as milhas, o ideal é se planejar com antecedência.

“Sai mais barato com planejamento, emitir bilhetes com antecedência e fugir dos dias de forte demanda, como sextas e domingos à noite. Se está de férias, viaje na quarta, quinta. Vai encontrar coisas interessantes”, afirmou o executivo da Smiles.

Se quando o consumidor paga os bilhetes com dinheiro ele tem por hábito se programar antes, o mesmo vale para as milhas, alerta o diretor da Abemf, Paulo Curro.

“É uma condição de mercado. Se for uma viagem daqui a uma semana, é inviável usar milhas, assim como o dinheiro. Não tem jeito, com pontos, milhas ou dinheiro, o valor é superior. Tem que se planejar antes”, afirma o representante da associação.

Milhas viraram produtos

Ao longo de 2020 a pandemia provocou o fechamento do comércio, empresas e viajar ficou quase impossível por conta da redução de voos e países fechados a estrangeiros.

Com boa parte dos trabalhadores fazendo home office, os programas de fidelidade observaram que os consumidores continuaram a trocar seus pontos. Mas no lugar de viagens, as milhas viraram eletrodomésticos, móveis de escritório, entre outros itens para casa, principalmente para facilitar o trabalho remoto.

“Com as pessoas mais em casa, os pontos foram 100% praticamente para bens e produtos. Isso mostrou também que os programas não são só para passagens, pacotes de viagens. As empresas diversificaram esses produtos. Antes era preciso 50 mil pontos para ter algo, hoje com 3 mil você tem um eletrodoméstico ou um desconto em um aplicativo de transporte”, afirma o executivo da Abemf.

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