(Atualizado às 11h55 de 19/10)

A pandemia do coronavírus mudou radicalmente a forma de viajar dos brasileiros. Para aproveitar as folgas ou férias, os turistas adaptaram seus roteiros, escolhendo viagens para locais mais próximos e sem a presença de muitos hóspedes — assim surgiu o chamado “turismo de proximidade”. Os destinos preferidos passaram a ser cidades turísticas que estão perto dos grandes centros urbanos, onde é possível chegar de carro. Além disso, os hotéis perderam espaço para as pequenas pousadas e para as casas alugadas por temporada.

Embora todo o setor de viagens tenha perdido na crise, quem perdeu mais foram as operadoras de turismo. A maior parte das receitas dessas empresas vem da venda de pacotes com voo e hospedagem, e a comercialização desses produtos foi a praticamente zero durante a quarentena. Para piorar, essas agências de viagem tiveram que lidar com a dor de cabeça dos cancelamentos de serviços vendidos antes de a pandemia começar.

Para tentar deixar essa fase ruim para trás, a CVC, maior operadora de turismo do Brasil, decidiu buscar alternativas. A primeira estratégia foi o estabelecimento de parcerias com locadoras de veículos para comercializar serviços para quem quer viajar para perto. Mas a temporada das férias de verão, que vai de dezembro a meados de março, é uma das datas mais importantes para a empresa. Pensando nesse período de alta temporada, a operadora decidiu fretar voos semanais para tentar garantir que seus passageiros embarcarão sem dor de cabeça.

Como serão esses voos? A CVC fez acordos com empresas de aviação comercial para fretar 150 voos entre 19 de dezembro de 2020 a 31 de janeiro de 2021 para os destinos mais famosos do Nordeste. Nesse modelo, a operadora compra os assentos da aeronave e fica responsável por toda a comercialização. A CVC diz que está otimista com a venda desses assentos, e que está apostando na volta do turismo doméstico para o final do ano, mesmo diante de um retomada gradativa.

Os aviões decolarão das cidades de São Paulo (SP), Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Londrina (PR), Brasília (DF), Cuiabá (MT) e Goiânia (GO). Os pacotes comercializados são para estadia em destinos como Porto Seguro (BA), Jericoacoara (CE), Maceió (AL), Natal (RN) e outros.

“Trata-se de uma operação viável fora do tráfego aéreo comercial. Os voos fretados somam cerca de 50 mil assentos extras, que já estão a venda nas mais de 1.200 lojas da CVC já em funcionamento pelo Brasil”, disse a empresa, em comunicado.

E o preço? A CVC diz que o preço deve ser um grande chamariz para a iniciativa. Os pacotes vendidos para a alta temporada estão até 30% mais baratos do que os comercializados no mesmo período do ano passado. Além disso, a empresa está oferecendo o parcelamento dos pacotes em até 12 vezes, com o pagamento da primeira parcela em 60 dias.

Qual o cliente-alvo dessa iniciativa? A maioria dos clientes da CVC já viajava dentro do Brasil antes da pandemia, mas a operadora acredita que atingirá a um público de maior renda, que preferia viajar para o exterior. Com restrições para entrada na maioria dos países europeus e nos Estados Unidos, a aposta é que os clientes da classe A topem passar as férias de verão nos destinos oferecidos pela empresa.

Além disso, como muitas pessoas seguiram trabalhando em 2020, as férias do ano foram postergadas para 2021. A expectativa é que, saindo de férias, mesmo os brasileiros mais reticentes acabem comprando um pacote de viagem, para que os dias de folga não sejam em vão.

O que o turista deve observar antes de contratar um pacote? Embora a situação da pandemia esteja melhorando no Brasil, planejar férias meses a frente ainda é uma tarefa arriscada — não é possível saber se novas restrições surgirão, nem se a situação do contágio estará sob controle a ponto de ser seguro entrar em um avião.

Diante de tanta incerteza, é fundamental que o turista coloque na conta o risco de a viagem não acontecer, e que observe as condições de remarcação ou cancelamento. A maioria das operadoras de turismo tem seguido a regra de remarcação flexível, mas sem a possibilidade de estorno em caso de cancelamento. O cliente que desistir da viagem dentro do prazo estabelecido receberá apenas o valor em créditos para serem usados em outra data.

Questionada sobre esse aspecto, a CVC disse que “a política de cancelamento depende de cada fornecedor (companhia aérea e hotel, por exemplo), mas, na maioria dos casos, nossos parceiros oferecem a condição de uma remarcação sem multa”.

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