A esperança de que o verão marcaria o fim da pandemia de coronavírus na Europa foi frustrada por um aumento alarmante de infectados no continente durante as férias, que julgava ter enfrentado o pior no início do ano.

Da França à Ucrânia, o número de pessoas diagnosticadas com a Covid-19 aumentou drasticamente conforme o relaxamento das medidas de distanciamento social, que facilitaram viagens de férias e aglomerações. Desde então, países como a Alemanha, que chegaram a beirar 200 infecções pelo coronavírus por dia no início de junho, registrou um pico de quase 1.500 novos casos diários.

No Leste Europeu, menos atingido pela primeira onda pandemia, alguns países se aproximaram do número recorde de casos diário, como a Ucrânia, Romênia e Polônia.

O que dizem as autoridades? Mesmo diante da possibilidade de uma segunda onda de coronavírus, os líderes políticos da Europa estão relutantes em decretar uma nova quarentena, devido às implicações econômicas da decisão especialmente para o turismo.

O chefe da Agência de Saúde Francesa, Jerome Salomon, apontou reuniões familiares, como casamentos, e os locais de trabalho como os lugares onde as pessoas mais entram em contato com o coronavírus. Ele incentivou os cidadãos da França a manterem o distanciamento social para evitar uma nova a crise de março e abril pela qual “ninguém quer passar de novo”.

Já na Espanha, empresários alertaram que um segundo bloqueio teria consequências catastróficas e pressionaram o governo a promover o uso de um novo aplicativo desenvolvido pelo Ministério da Economia para rastrear casos de Covid-19. Os novos casos de coronavírus na Espanha chegaram a 7.550 na última quinta-feira, 13 de agosto, número comparável ao pico da pandemia.

Novo lockdown britânico? No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson, cujo governo é alvo de investigações por causa do número de mortes pelo coronavírus no país, o mais alto da Europa, decretou que os viajantes que chegarem da França, Holanda e Malta fiquem 14 dias de quarentena antes de voltarem a circular pela Grã-Bretanha.

As novas regras, que entram em vigor a partir das 4 da manhã de sábado, devem desencadear uma corrida caótica por passagens de avião, trens e balsas para os 160 mil britânicos que estão de férias na França. O governo francês disse que a decisão era lamentável e alertou que levaria a uma ação recíproca.

“A maior prioridade deve ser proteger nossos ganhos duramente conquistados em manter o vírus sob controle e não reimportá-lo conforme as pessoas voltam para casa”, disse o secretário de transportes do Reino Unido, Grant Shapps, à “Times Radio” nesta sexta-feira. “É um problema de saúde pública que simplesmente não podemos dar as costas.”

“Risco calculado” Em junho, o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis afirmou que estava assumindo um “risco calculado” ao permitir que os turistas voltassem às praias e resorts do país. Com o salto esperado de casos, ele pediu cautela aqueles que estão voltando ao país depois de um período fora, e afirmou que novas medidas de segurança serão anunciadas em breve.

A Croácia, país que, como a Grécia, tem o turismo como principal receita, registrou 150 novos casos de coronavírus na quinta-feira, o máximo até agora, com expectativa de um recorde na sexta-feira. O país já sofre sansões da Áustria, que alertou contra viagens para a Croácia, um importante destino de férias e país de origem de muitos imigrantes austríacos, a partir de 17 de agosto.

(com Bloomberg)

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