Apesar da imagem de país amigável, o Brasil não está tão bem assim entre os cidadãos de outras nacionalidades que vêm morar aqui. Foi divulgada hoje uma pesquisa feita pela InterNations, uma comunidade global de estrangeiros que moram fora do seu país natal.

A InterNations colheu as percepções de mais de 20.000 pessoas de 182 nacionalidades diferentes, e elaborou um ranking com os melhores e piores lugares para estrangeiros viverem.

Cinco critérios principais foram avaliados: qualidade de vida, facilidade em se estabelecer, finanças pessoais, trabalho e vida familiar. Dentro de cada critério há uma série de sub-itens, como segurança, receptividade da população local, língua, perspectiva de carreira, disponibilidade e custos de educação.

Como ficou o Brasil? Infelizmente, o desempenho não foi bom. Entre 64 países, o Brasil figurou em 61º, à frente apenas da Nigéria, Itália e Kuwait. Nos últimos anos, houve uma piora significativa na avaliação do país. Em 2014, por exemplo, o Brasil estava em 41º entre 61 países.

Veja o ranking geral:

Posição no rankingPaís
Taiwan
Vietnã
Portugal
México
Espanha
Cingapura
Bahrein
Equador
Malásia
10ºRepública Tcheca
11ºBulgária
12ºLuxemburgo
13ºPanamá
14ºIsrael
15ºNova Zelândia
16ºColômbia
17ºAustrália
18ºCatar
19ºFinlândia
20ºCanadá
21ºCosta Rica
22ºCazaquistão
23ºEstônia
24ºHolanda
25ºTailândia
26ºMarrocos
27ºFilipinas
28ºBélgica
29ºIndonésia
30ºHungria
31ºMalta
32ºOmã
33ºAlemanha
34ºPolônia
35ºNoruega
36ºQuênia
37ºÁustria
38ºSuíça
39ºJapão
40ºEmirados Árabes
41ºHong Kong
42ºFrança
43ºIrlanda
44ºSuécia
45ºChipre
46ºChile
47ºEstados Unidos
48ºDinamarca
49ºEgito
50ºChina
51ºUcrânia
52ºÁfrica do Sul
53ºPeru
54ºArgentina
55ºCoreia do Sul
56ºRússia
57ºGrécia
58ºReino Unido
59ºÍndia
60ºTurquia
61ºBrasil
62ºNigéria
63ºItália
64ºKuwait

O que pesou nas avaliações? Fomos muito mal no pilar de qualidade de vida. Mais de 60% dos estrangeiros relataram não se sentir seguros no Brasil — nesse quesito o país ficou em último lugar do ranking. No geral, a média de estrangeiros que dizem se sentir inseguros em outros países foi de 9%.

A crise na economia também tem um importante peso. Os estrangeiros avaliaram o Brasil como 59º no quesito de economia e estabilidade no emprego. Além disso, os indicadores de vida familiar também foram negativos. Para os estrangeiros que têm filhos, a qualidade e o custo da educação brasileira aparecem entre as piores do mundo.

Os pontos que os residentes de outros países elogiaram em relação ao Brasil foram a receptividade da população (15º, entre os 64 países) e a facilidade em fazer amigos (28º).

E os outros países? Dois países asiáticos despontaram como os melhores para se viver: Taiwan e  Vietnã. Para quem ficou surpreso, há uma explicação bem lógica: os estrangeiros destacaram positivamente o mercado de trabalho desses países, que estão aquecidos e pagando bem. As economias desses países asiáticos vão de vento em popa — o Vietnã deve crescer nada menos que 6,8% em 2019, e Taiwan 2,5%.

Em terceiro lugar no ranking veio Portugal. O país europeu teve a qualidade de vida reconhecida. Um cidadão sul-africano que mora em Portugal definiu o que atrai pessoas do mundo todo: “A vida aqui é muito pacífica, saudável e segura”. Mais da metade dos estrangeiros que foram viver em cidades portuguesas desejam fazer do país sua permanente casa.

Mas e a Itália, por que foi tão mal? Apesar de ser vizinha de Portugal, a Itália está à beira de uma crise. O governo italiano estima que a economia vá crescer apenas 0,2% neste ano — mas uma parte do mercado conta com uma retração no PIB do país.

Mais da metade dos estrangeiros morando na Itália estão insatisfeitos com o ritmo da economia e com as perspectivas para a carreira. Para se ter uma ideia, os níveis de insatisfação com o trabalho e com o crescimento econômico são menores que os dos estrangeiros que moram na Grécia, outro país europeu que está tentando sobreviver à crise no bloco.

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