Com o dólar mais caro e a demora da economia para se recuperar, as viagens a negócios tiveram queda no segundo trimestre deste ano, com redução no número de passagens, nas diárias de hotel e nas locações de automóveis.

Esse movimento foi medida pela Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), entidade que representa 29 agências e que responde por um terço desse mercado.

Segundo agências ouvidas pelo 6 Minutos, muitas empresas vêm antecipando o congelamento de verbas para viagens. Nos últimos anos, também marcados pela crise, essa suspensão das viagens também ocorria, mas em geral apenas no final do segundo semestre.

Você pode me detalhar os números? Vamos lá. Os dados da entidade mostram que a redução no número de bilhetes aéreos vendidos para outros países foi de 2,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Também houve uma forte queda no número das diárias de hotéis internacionais vendidas, de 8,1%, e também na locação de veículos, de 20,3%, sempre na mesma comparação.

Esses números representam uma piora em relação ao primeiro trimestre? Sim. No primeiro trimestre, a venda de diárias de hotéis internacionais subiu 1,5% na comparação com o mesmo período de 2018, e as locações de carros cresceram 7%. Houve queda no número de passagens corporativas comercializadas, mas um pouco menor, de 1,5%.

Qual a razão dessa queda no segundo trimestre? Em primeiro lugar, o dólar está mais caro. Entre abril e junho deste ano, a moeda americana se valorizou em relação ao mesmo período do ano passado.

“Destinos nos Estados Unidos caíram bastante. As vendas de bilhetes para Nova York, por exemplo, caíram 15%. Para Miami, a redução foi de 7%”, afirma Gervásio Tanabe, diretor executivo da Abracorp.

Além disso, a economia não reagiu como era esperado no início de 2019.

“Todos os clientes estão reduzindo despesas. Neste ano tivemos queda nas vendas, que vem principalmente do internacional, dos chamados ‘freezings’ (congelamentos) de viagens. Percebemos que esses congelamentos, que em anos anteriores ocorriam mais para o final do segundo semestre, começaram a ser antecipados”, afirma Fernando Michellini, diretor para o Brasil da empresa de gestão de viagens CWT.

E qual a tendência daqui para a frente? Ainda não está muito claro se haverá reação. Se por um lado a expectativa é a de maior aquecimento da economia nesta segunda metade do ano, o aprofundamento da crise da Argentina pode pressionar os números para baixo.

“Eles são um dos principais parceiros econômicos do Brasil. Vamos ver o efeito que a crise terá nos números”, afirma Tanabe, da Abracorp.

As empresas também estão recorrendo mais à tecnologia como forma de reduzir custos? Sim. Como forma de cortar despesas, muitas estão recorrendo a vídeo-chamadas, com ferramentas como Skype e WhatsApp para realizar reuniões de negócios.

“Essas alternativas são beneficiadas pelo fato de a qualidade das vídeo chamadas ser cada vez maior”, pondera Michellini, da CWT.

Esses custos, segundo ele, pesam bastante no orçamento das empresas. “Os custos com viagens de negócios competem com salários e benefícios e gastos com telecomunicações. É só olhar para essas três despesas para ver o que é mais fácil de ser contingenciado”, aponta.

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