Os pontos de programas de fidelidade já estão valendo até 16,5% menos do que no início do ano na utilização para compra de passagens aéreas, e a tendência é que essa desvalorização se aprofunde quando houver uma retomada mais forte da demanda por voos no Brasil.

Dados da plataforma de gerenciamento de pontos Oktoplus mostram que atualmente mil pontos compram o equivalente a R$ 25 em passagens na Gol, em média. Em janeiro, compravam R$ 30. Essa desvalorização também aconteceu em outras companhias, ainda que em menor proporção. Na Azul, por exemplo, os pontos compravam R$ 29 em passagens, valor que se reduziu para R$ 27 em março; na Latam, o valor caiu de R$ 36 para R$ 34 e na TAP de R$ 40 para R$ 36.

De acordo com o Bruno Nissental, fundador da empresa, esse movimento é consequência da série de promoções realizadas pelas empresas aéreas no início de ano para fazer caixa, o que inflacionou o mercado.

“Há períodos em que as companhias oferecem bônus para a troca de produtos por milhas, quando o consumidor pode ganhar entre 50% a até 80% mais do que receberia”, explica. “Isso começou a acontecer com muita frequência no início do ano, já que as companhias estavam precisando de caixa. A cada vez que o consumidor troca seus pontos, elas recebem antecipações, o que as ajuda no fluxo de caixa em um momento de crise”.

Qual a tendência para o valor de pontos na troca por passagens daqui para a frente? Na avaliação do especialista, se a vacinação avançar e o número de casos de covid-19 seguir em queda no Brasil, a tendência é que haja um pico de demanda, com muitos consumidores querendo viajar ao mesmo tempo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, país em que a imunização progrediu de forma bastante rápida, as agências de viagens venderam US$ 2,8 bilhões em passagens aéreas em março, uma alta de 82% na comparação com fevereiro.

Se isso acontecer, a desvalorização que foi vista no início do ano pode se aprofundar, afirma Nissental. Nesse cenário, ele aconselha quem vai viajar a antecipar a troca de pontos por milhas agora. “Se você tem milhas e quer viajar, o ideal é se antecipar. Se deixar para cima da hora, é provável que o valor não compense. Vai haver pressão de demanda quando muita gente quiser voar”, afirma Nissental.

Como o mercado de programas de fidelidade reagiu à pandemia? Dados da Ambef (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização) mostram que houve uma forte queda na emissão e resgate de milhas e pontos no Brasil em 2020.

No segundo semestre do ano passado, foram emitidos 123 milhões em pontos, uma queda de 22,2% na comparação com o mesmo período de 2019. O resgate foi ainda mais prejudicado pela pandemia: foram 93,7 bilhões de pontos resgatados entre julho e dezembro, uma queda de 30,7%.

Mudou ainda o perfil do uso de pontos: a troca por produtos do varejo, como eletrodomésticos, cresceu bastante em detrimento das passagens aéreas. Entre outubro e dezembro, 33% dos resgates foram desses bens, ante 22% do ano passado.

“A troca de pontos por produtos cresceu bastante durante a pandemia”, aponta Nissental. “Gente com pontos vencendo, por exemplo, ou que não acumulou o suficiente para trocar por passagens, priorizou a troca por produtos”.

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