Será que é hora de correr para comprar a viagem de férias do próximo verão? Se o aumento nas viagens de julho servir como termômetro, a resposta é sim. O presidente da CVC, Leonel Andrade, chegou a dizer que haverá falta de hotéis e aviões na alta temporada, já que a vacinação contra a covid-19 avança pelo país.

Mas em tempos de pandemia, em que novas variantes da covid-19 podem surgir a qualquer momento, as respostas podem não ser tão simples. Todas as previsões operam no campo do depende. “Nossas projeções estão radicalmente e umbilicalmente vinculadas ao avanço da campanha de vacinação e manutenção de protocolo de segurança. Se houver qualquer problema, vamos ter que rever os cenários”, diz Eduardo Sanovicz, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Segundo ele, as coisas melhoraram para o setor, mas ainda não é hora de sair comemorando. “Estamos há um ano e meio do modo sobrevivência. De algumas semanas para cá, saímos desse modo para o modelo de reconstrução. As primeiras reações do mercado à volta dos consumidores à vacinação são positivas. Mas temos que resolver milhares de temas que surgiram nessa crise. A vida não está resolvida, mas está melhor que há três meses.”

Quais são as projeções do setor para o turismo doméstico? A segunda onda derrubou as vendas de passagens aéreas no primeiro quadrimestre. Mas a partir de maio, o setor começou a se recuperar. “Essa recuperação colocou a malha aérea na virada de julho pra agosto ao redor de 70% em relação ao que tinha pré-crise e aponta para um fim de ano superior a 85%”, diz Sanovicz.

A Latam está mais otimista ainda. Depois de começar o ano com uma oferta de assentos de 60%, terminou julho com 75%. “Devemos chegar a dezembro com 93%, praticamente próximo dos 100%”, disse Diogo Elias, diretor de Vendas e Marketing da Latam Brasil.

E sobre a pergunta inicial: é preciso correr para comprar viagens para o fim do ano? As opiniões são divergentes. O presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Roberto Haro Nedelciu, diz que o risco de faltar passagens e voos existe.

“Não é que vai faltar, já está faltando. Já há falta de lugares para alguns destinos do Nordeste e do Pantanal, por exemplo. Muitas pessoas que passavam férias no exterior, estão direcionando suas viagens para o turismo doméstico”, disse Nedelciu. “É a viagem da vingança, as pessoas querem viajar, não importa para onde.”

Para o presidente da Agaxtur, Aldo Leone, não é hora de fazer alarmismo. “Não devemos assustar as pessoas. O que acontece é que as passagens vão ficar mais caras para quem deixa para a última hora. O momento é de buscar oportunidades.”

Sanovicz, da Abear, diz que não faltarão voos. “Vai ter bilhete, vai ter espaço para todo mundo que quiser viajar. É ótimo que as pessoas queiram viajar, vamos estar prontos para embarcá-las e levá-las com segurança.”

Além disso, o consumidor mudou a forma de planejar suas viagens durante a pandemia. “O futuro ficou mais incerto. As pessoas não sabem se o destino para qual gostariam de ir vai estar aberto ou fechado. Por isso, a antecedência da compra ficou mais curta”, disse Elias, da Latam.

E o turismo internacional também está voltando? Aí a questão é mais complicada. Sanovicz diz que o brasileiro é o segundo passageiro com mais restrições para entrar em outros países. Só perde para o sul-africano nesse triste ranking.

“Há desafios que devem ser enfrentados pelo Itamaraty e Ministério do Turismo que é a reconstrução da imagem do Brasil. Muitos países impuseram restrições por conta das informações que receberam de suas embaixadas aqui”, diz o presidente da Abear.

Segundo ele, o retorno do turismo internacional é importante para o setor e para a economia do país. “A receita dos voos internacionais tem peso enorme para o resultado das empresas. E a entrada de turistas estrangeiros tem uma relevância enorme para nossa economia.”

Aldo Leone também defende a volta do turismo internacional. “O mundo está vendo o Brasil de péssima maneira. O turismo só vai avançar quando estiver tudo funcionando”, afirmou. “Se o mundo não abrir as fronteiras, como vamos ter estrangeiros viajando para cá?”, questiona.

Utilizando as projeções da Iata, a Abear prevê que a retomada 100% do turismo internacional fique apenas para a virada de 2023 para 2024.

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