Poucas situações sociais confundem até os especialistas em etiqueta como decidir quanto e quando dar gorjeta. É um dilema universal.

Mas, com a explosão da chamada “gig economy” (a economia dos bicos ou dos freelas) — na qual predominam profissionais autônomos ou que vivem de bicos e na qual milhões de pessoas estão empregadas — e o uso crescente de aplicativos de serviços como Airbnb (hospedagem), Uber, 99 e Cabify (transporte urbano) e iFood, Rappi, Loggi e Uber Eats (entregas), as expectativas em torno da gorjeta agora são menos claras e, em alguns casos, ainda estão sendo desenvolvidas.

Segundo pesquisa da Consumer Reports com mais de 1.000 adultos nos Estados Unidos em dezembro de 2018, 27% dos entrevistados disseram que hoje existem mais situações em as pessoas esperam gorjeta do que há dois anos.

Abaixo, seguem algumas situações da nova economia:

Extras para Uber, 99 e Cabify

Quando o Uber foi lançado em 2012, o aplicativo não incluía a opção para dar gorjeta aos motoristas, o que, segundo a empresa, eliminaria a incerteza dos condutores em relação aos salários. Mas, em julho de 2017, o Uber cedeu à pressão dos usuários e às reclamações de motoristas e instalou uma opção de gorjeta integrada semelhante à de aplicativos de concorrentes como Lyft. No Brasil, a 99 e o Cabify também oferecem essa opção.

Diane Gottsman, fundadora da Protocol School of Texas, especializada em liderança executiva e etiqueta comercial, recomenda deixar de 15% a 20% para esse tipo de transporte, semelhante à gorjeta para um táxi tradicional nos EUA.

“Eles estão investindo em seus carros”, diz Gottsman. “A pessoa que presta esse serviço trabalha para ganhar a vida. O que pode ser conveniente para nós é o meio de vida deles.”

Ao usar um Uber ou Lyft, a especialista em etiqueta Jodi Smith, presidente da Mannersmith Etiquette Consulting, tende a deixar uma gorjeta maior do que em um táxi, cujos motoristas podem ser representados por um sindicato.

Serviços de entrega

Segundo especialistas, vale a ainda habitual etiqueta do disque-pizza, um serviço de entrega que tem décadas de existência no Brasil, muito antes da chegada dos aplicativos. A recomendação é pagar perto de R$ 5, valor que pode diminuir ou aumentar a depender da distância e do valor do produto levado até a sua casa.

Airbnb vs. hotel

Ao se hospedar em um hotel tradicional, os hóspedes devem deixar uma gorjeta todos os dias, diz Elaine Swann, fundadora da Swann School of Protocol, na Califórnia. Ela sugere de US$ 5 a US$ 10 por dia. Mas, quando fica em um Airbnb ou usa outra plataforma digital, ela normalmente evita gorjetas.

“A maioria das taxas está embutida no custo, então não é preciso deixar gorjeta”, diz Swann. “Fica a critério do proprietário repassá-la para o serviço de limpeza ou embolsá-la. Eu diria que não é necessário.”

iPad intrusivo no restaurante

Muitas cafeterias, food trucks e lanchonetes agora usam sistemas de ponto de venda em iPads que direcionam os clientes, levando-os a escolher opções depois de passarem os cartões: sem gorjeta ou entre 10% e 20%.

Smith explica que não é necessário deixar gorjeta se o funcionário estiver simplesmente entregando um item por trás do balcão. Ela costuma deixar US$ 1 ou US$ 2 em um pote, caso seu pedido tenha sido extraordinariamente complicado ou se ela visita o estabelecimento com frequência.

Origens da gorjeta no mundo

A história de recompensar um bom serviço com dinheiro extra é obscura, mas provavelmente teve origem na Europa, nos tempos medievais, quando um servo receberia uma gorjeta de seu amo pelo bom desempenho. Essa prática ganhou popularidade na Inglaterra do século XVII entre as classes altas e depois se espalhou para os EUA após a Guerra Civil, quando americanos ricos começaram a viajar para a Europa com mais frequência.

(Com a Bloomberg)

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