Nem os mais otimistas empresários do turismo esperavam uma recuperação tão rápida do setor. Mesmo que a pandemia não tenha ficado completamente para trás, as famílias brasileiras estão, aos poucos, voltando a viajar. Em um primeiro momento, os destinos preferidos foram aqueles em que era possível chegar de carro para passar um tempo tranquilo com a família.

A preferência pelas viagens de carro permanece, mas o perfil de hospedagem mudou. As casas de temporada, muito requisitadas pela privacidade e sensação de segurança, aos poucos vão dando algum espaço para os hotéis. Mas como “turistar” por aí não é mais uma realidade possível, a estrutura da hospedagem é muito importante, por isso os resorts têm sido preferidos por quem quer passar férias — especialmente pelas famílias.

O segmento de grandes redes hoteleiras e resorts é especialidade do Zarpo. Em entrevista ao 6 Minutos, o CEO da empresa disse que as vendas do último mês foram maiores até do que as registradas no mesmo mês de 2019.

“Quem já tinha o hábito de viajar voltou a fazer isso agora. Há uma demanda reprimida, inclusive de turistas que costumavam ir para o exterior uma ou duas vezes por ano e que mudaram os destinos de férias por causa das restrições sanitárias”, diz Daniel Topper, presidente do Zarpo.

O resort é logo ali

As maiores capitais brasileiras são bem servidas de estrutura hoteleira no entorno. Quem mora no Rio de Janeiro, por exemplo, tem opções no litoral (Búzios, Angra dos Reis e Paraty) e no interior (Itaipava e Teresópolis). Os moradores de São Paulo também podem contar com opções nas cidades praianas e no vasto interior do estado.

A viagem de carro tornou-se preferida, não só porque os aeroportos ainda não são considerados uma zona segura, mas também porque muitos trechos de voos não foram retomados. “Mais de 70% dos nossos clientes de São Paulo e do Rio de Janeiro viajam dentro do próprio estado”, conta Topper, do Zarpo.

O Zarpo é um comercializador de viagens, que tem mais de 500 hotéis parceiros no Brasil. Entre os parceiros há redes como Fasano, Iberostar e Vila Galé. A rede negocia com esses parceiros datas específicas de hospedagem para promover descontos — em geral, os melhores preços são para épocas de menor demanda, como meses de baixa temporada e dias de semana. Embora o Zarpo também venda pacotes (com voo e hospedagem), o presidente da empresa conta que a maior demanda tem sido justamente por reservas somente de hotéis.

“A janela entre a compra e a viagem está cada vez mais curta. Atualmente, os clientes reservam com uma diferença de 30 a 40 dias. Trata-se de um planejamento para viagens aos finais de semana, ou para viagens que possam acontecer assim que possível”, diz Topper. Ele diz que a rotina de trabalho mais flexível tem tornado as viagens em família mais simples.

Nesse aspecto, os resorts largam à frente na preferência das famílias em razão da ampla estrutura de recreação para os pequenos. Enquanto os pais trabalham em regime remoto, as crianças podem se distrair com as opções de lazer dos hotéis.

“80% dos nossos clientes viajam com crianças. Temos um público bem definido, que busca conforto, recreação monitorada, e todo tipo de estrutura que pais e famílias podem querer”, explica o CEO do Zarpo.

Cancelamentos e remarcações

Assim como as outras empresas de turismo, o Zarpo sofreu nos primeiros meses da pandemia. Como os hotéis ficaram fechados, além da queda nas vendas, ainda foi necessário remarcar e cancelar algumas reservas que foram feitas antes de a doença chegar ao Brasil. Apesar do baque, o CEO da empresa disse que foi possível contornar a insatisfação dos clientes.

“Estamos oferecendo a maior flexibilidade possível, dentro do que está ao nosso alcance. O cliente consegue remarcar a reserva ou converter o valor pago em créditos Zarpo, que podem ser usados mais pra frente ou em outro hotel. No entanto, quando hotel cobra multa para remarcar, repassamos isso para o cliente”, pontua o Topper.

Já o relacionamento com os hotéis parceiros também foi preservado. Por intermediar reservas de grandes redes, o Zarpo não enfrentou grandes problemas de cancelamento por falência ou fechamento de parceiros. “Por sorte tivemos só um hotel parceiro que fechou as portas, não tivemos uma quebra em massa ou um efeito dominó”, diz Topper. Ele conta que as redes hoteleiras sobreviveram à crise adotando medidas drásticas, como a redução de jornada de funcionários e a redução de gastos.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).