O grupo de K-pop BTS construiu um exército de fãs ao redor mundo. O irônico é que eles mesmos podem não se juntar ao exército e serem dispensados do serviço obrigatório.

Uma proposta de lei na Coreia do Sul acrescenta artistas que deram “grandes contribuições” à cultura popular à lista de homens que podem atrasar seu serviço às Forças Armadas. O privilégio abarcaria os sete membros do BTS, que no início desta semana se tornou o primeiro grupo asiático desde 1963 a liderar o ranking de músicas mais ouvidas no mundo da Billboard, com o single em inglês “Dynamite”.

Se a mudança na legislação for aprovada, a banda poderia continuar se apresentando com sua formação atual por pelo menos mais alguns anos, aproveitando um boom global no entretenimento sul-coreano depois que “Parasita” conquistou Oscar de melhor filme em fevereiro. O membro mais velho do grupo, Kim Seok-jin, tem 27 anos, e deveria se alistar no exército até o final do ano que vem.

“Adiar o serviço militar é diferente de dispensá-lo”, disse o legislador Jeon Young-gi, 29, responsável pelo projeto. “Precisamos dar essa opção para aqueles cuja carreira atinge o pico na casa dos 20 anos.”

O BTS arrecadou US$ 170 milhões em 2019, classificando-o em quinto lugar entre os shows mais rentáveis do mundo, atrás apenas de Elton John, de acordo com a Pollstar. Em junho, uma apresentação online da banda se tornou o maior evento de música online pago do mundo, atraindo mais de 750.000 espectadores, informou a Yonhap News Agency.

Embora os sul-coreanos tenham aplaudido o sucesso do BTS, as isenções do serviço militar são controversas em um país onde questões de desigualdade e privilégio dominam o debate político. Todos os cidadãos do sexo masculino com idade entre 18 e 28 anos devem servir por cerca de dois anos nas forças armadas, cujo principal objetivo é se proteger da Coreia do Norte, que mantém um dos maiores exércitos permanentes do mundo e nunca assinou um tratado de paz com a Coreia do Sul.

A lei atual permite isenções para alguns atletas de elite e músicos clássicos, mas não inclui artistas populares.

O projeto abriria caminho para que outros artistas “atrasassem” o serviço militar até os 30 anos.

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