Companhias aéreas chinesas começam a normalizar a oferta de voos com verdadeiras pechinchas depois dos drásticos cortes em razão do surto de coronavírus no período entre janeiro e fevereiro.

Um voo direto de Xangai a Chengdu com a Juneyao Airlines neste sábado (dia 7) custa apenas 90 yuans (US$ 13 ou R$ 60) mais 50 yuans (US$ 7 ou R$ 32) em taxas. É uma viagem de três horas e meia, quase o mesmo que um voo entre Nova York e New Orleans ou que um voo entre São Paulo e Recife.

Companhias áreas chinesas voltaram a incluir quase 3 milhões de assentos nos voos programados para esta semana, principalmente para rotas domésticas, segundo a OAG Aviation Worldwide. “A drástica recuperação da capacidade levou à disponibilidade de tarifas muito baixas”, escreveu o analista John Grant em relatório.

Longe do normal

A China Southern Airlines adicionou 684 mil assentos, e a China Eastern Airlines aumentou a capacidade em 566 mil assentos, disse Grant. Ainda assim, a capacidade atual de assentos no mercado de aviação da China ainda corresponde a apenas cerca da metade dos 16,9 milhões de assentos disponíveis em 20 de janeiro, quando ainda havia algumas centenas de pessoas infectadas globalmente. Mas, com a recuperação desta semana, a China retoma o posto de segundo maior mercado do mundo, depois de ter encolhido e ficado atrás de Portugal.

O portal de notícias Sina.com disse que companhias aéreas chinesas registraram perdas de mais de 10 bilhões de yuans em fevereiro (cerca de US$ 1,5 bilhão), e a receita caiu em 37 bilhões de yuans, segundo estimativas do setor. O relatório divulgado na segunda-feira também sinalizou a disponibilidade de voos muito baratos.

Perdas espalhadas

Embora o cenário seja mais positivo para a China, os mercados vizinhos da Coreia do Sul e Hong Kong ainda reduziram drasticamente a capacidade, ambos em mais de 20% nesta semana, segundo a OAG. Desde 20 de janeiro, a capacidade das companhias aéreas em Hong Kong caiu 71%: a Cathay Pacific Airways diminuiu o número de assentos em mais de 400 mil, para 119,86 mil, disse a OAG.

Em 20 de fevereiro, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) disse que o vírus pode causar queda de 13% na demanda de passageiros entre companhias aéreas da região Ásia-Pacífico neste ano, o que resultaria em perda de receita estimada em US$ 27,8 bilhões. Companhias áreas registradas na China responderiam pela maior parte do prejuízo, com perdas de US$ 12,8 bilhões, disse o documento.

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