O Midtown Hilton está fechado desde março. O mesmo vale para The Edition, um novíssimo hotel boutique da Times Square. E se agora você pode pagar um quarto no Pierre, um dos mais exclusivos da cidade, não espere mais pelo atendimento com luvas brancas que tornou o hotel uma referência de Manhattan desde 1930.

O outono em Nova York anda sombrio este ano, com o mercado de turismo da cidade entre os piores dos EUA. A pandemia cancelou eventos como a Fashion Week e a Maratona de Nova York, repelindo os viajantes de negócios e os visitantes internacionais, provocando perdas irreparáveis em um mercado que gera US$ 70 bilhões ao ano.

As coisas estão melhores agora do que em março, o pior mês na memória da indústria hoteleira da cidade, mas ainda estão historicamente ruins. Mais de 200 dos cerca de 700 hotéis de Nova York estão fechados, alguns temporariamente, outros em definitivo.

Em todos os EUA, o coronavírus já deixou 870 mil trabalhadores do setor hoteleiro sem emprego. Levará anos para o setor se recuperar.

“O ano que vem será muito pior do que qualquer outro ano que já tivemos, com exceção de 2020”, disse Lukas Hartwich, analista da empresa de pesquisa imobiliária Green Street.

Os preços caem

Outubro costuma ser o mês mais movimentado do mercado hoteleiro de Nova York. A taxa de ocupação atingiu 92% e a diária média ficou em US$336 em 2019. Na semana passada, o preço médio diário de um quarto era de $135 e as ocupações estavam abaixo de 40%, de acordo com a empresa de dados de hospedagem STR. Operadores locais dizem que esse número está incorreto porque muitos hotéis pararam de reportar dados, enquanto outros dependem de contratos de longo prazo com o governo, e sofrem menos com a crise.

O problema não é apenas o cancelamento de eventos em massa. Empresas estão impedindo os funcionários de viajar. As restrições de viagens de países que exigem que os visitantes fiquem em quarentena por 14 dias ao chegar a Nova York representam outra grande barreira.

“A verdadeira ocupação do hotel é inferior a 10%”, disse Vijay Dandapani, diretor executivo da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York. “Teoricamente, hotéis podem ser abertos, mas em muitos casos isso é inútil.”

Executivos da indústria dizem que até 20% dos quartos da cidade podem fechar permanentemente. O Omni Berkshire Place, o hotel no centro da cidade onde Richard Rodgers e Oscar Hammerstein escreveram o musical Oklahoma!, comunicou seus clientes que não vai mais reabrir.

Menos serviços

Muitos hotéis estão operando com serviços reduzidos. No Pierre, por exemplo, a portaria sai às 17h, e o serviço de quarto costuma parar após o café da manhã — embora o gerente geral François-Olivier Luiggi tenha dito que o hotel geralmente pode atender a pedidos à la carte.

A situação é menos dramática em outras partes do país. No feriado do Memorial Day, muitos americanos abandonaram suas quarentenas e fizeram reservas em resorts de praia e outros destinos regionais, gerando uma recuperação de hotéis em lugares como Galveston, Virginia Beach e Panama City. Mas os viajantes continuam evitando os centros urbanos, e um aumento nos casos de vírus em Nova York destruiu as esperanças de uma recuperação rápida.

“Seria uma aposta ruim dizer que Nova York não vai voltar”, disse Dan Peek, presidente do grupo hoteleiro da empresa de consultoria Hodges Ward Elliott. “Mas enfrenta alguns desafios únicos que provavelmente resultarão em uma recuperação mais lenta.”

Procurando Negócios

Os proprietários de hotéis em Nova York agora procuram negócios onde quer que os encontrem. Alguns contrataram o Departamento de Serviços para os Sem-Teto da cidade para converter propriedades em abrigos temporários, embora essas mudanças tenham gerado reação dos vizinhos e possam prejudicar a reputação de um hotel.

Outros estão oferecendo hotéis como dormitórios auxiliares para faculdades, ou onde pacientes de hospitais podem se recuperar sem se preocupar com a exposição ao vírus.

No Lotte New York Palace, um hotel cinco estrelas cujos andares superiores têm vista para a Catedral de São Patrício, a administração espera que a pandemia ofereça a chance de conquistar novos clientes. Ele redecorou suas suítes de cobertura e está permitindo que hóspedes frequentes reservem um quarto permanente que ninguém mais pode ocupar.

“Estamos tendo alguns novos hóspedes”, disse Rebecca Hubbard, gerente geral do hotel. “Eles entram e dizem: ‘Meu Deus, eu não sabia que grande hotel era este.’”

Ainda assim, isso só vai até certo ponto. “Não é muito movimentado”, reconheceu Hubbard.

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