Embora o calendário oficial esteja desordenado em razão da pandemia do coronavírus, as férias de verão estão chegando. A maioria das regiões brasileiras já evoluiu para uma fase menos restrita de quarentena, o que permitiu a volta dos serviços de turismo. Mas será que as famílias já estão confiantes para viajar?

A resposta dada pelas empresas do setor parece ser sim, mas em partes. Depois de meses trancados em casa, os brasileiros desejam descansar e passar férias em algum lugar diferente. A questão é que embora a situação da pandemia tenha melhorado, nem todo mundo se sente seguro ainda para entrar em um avião ou para se hospedar em um lugar com vários outros hóspedes.

O cenário para as viagens de Natal, Ano Novo e até Carnaval continua nebuloso. Essa indefinição é inédita, pois é no começo do último trimestre do ano que os brasileiros costumam planejar seus destinos — até para poder pagar parceladamente. Mas sem saber como estarão as permissões para o turismo e até a própria situação da pandemia, muitos viajantes parecem ainda estar em dúvida ou até colocando aquela viagem dos sonhos na geladeira.

A boa notícia para o setor de turismo é que a queda no número de casos e mortes por covid-19 parece ter dado algum ânimo para as viagens de dezembro, mês que está logo aí. Tanto as operadoras tradicionais, que comercializam pacotes de voos e hospedagem, quanto as empresas de aluguel por temporada, já veem o número de reservas aumentarem.

De acordo com um levantamento feito pelo Airbnb para o 6 Minutos, os destinos mais reservados para dezembro de 2020 e janeiro de 2021 são Ubatuba (SP), São Sebastião (SP), Gramado (RS), Búzios (RJ), Riviera de São Lourenço (SP) e Cabo Frio (RJ). Todos são em cidades chamadas pelo Airbnb de “hiperlocais”, e ficam a até 300 quilômetros de distância de centros urbanos.

“São hóspedes que buscam casas inteiras no campo e em cidades menores de praia, como refúgios fora da cidade grande. Ao mesmo tempo, esses hóspedes querem boa infraestrutura (como conexão à internet), para descanso ou para para conciliar férias com a família e trabalho em home-office, por exemplo”, explica a plataforma de hospedagem.

De acordo com o Booking.com, site de reservas de hotéis, pousadas e propriedades privadas, a distância média de viagem dos brasileiros caiu 63% em relação a 2019. Os turistas percorreram, em média, 569 quilômetros para viajar nas férias de julho, enquanto a distância média registrada no mesmo período do ano passado foi de 1.557 quilômetros por reserva.

Mas e o turismo tradicional?

Embora a volta à normalidade (ainda que seja uma normalidade controlada) seja gradual, as agências tradicionais de turismo querem desde já garantir alguma demanda no final do ano. A CVC, maior operadora de turismo do país, anunciou que terá voos fretados para levar os viajantes que comprarem seus pacotes.

A partir do dia 19 de dezembro serão 25 voos semanais, que partirão de cidades como São Paulo (SP), Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília, e Goiânia (GO). Os pacotes são para viagens para destinos do Nordeste, como Jericoacoara (CE), Maceió (AL) e Natal (RN). O fretamento de voos é uma tentativa de vencer a tendência do chamado “turismo de proximidade”, e convencer o viajante a entrar em um avião novamente. Aparentemente, a estratégia tem dado certo.

“A procura para as saídas de Natal e Réveillon está aquecida. Estamos trabalhando com opções completas que incluem aéreo, hospedagem, transfers e passeios. Mas para o Carnaval a demanda ainda está baixa”, disse a CVC.

Carnaval na geladeira

As empresas já começaram a organizar os planos para o Carnaval de 2021, mas a demanda continua baixa. Com as festas e blocos de rua suspensos na maior parte do país (inclusive nas cidades mais badaladas, como Rio de Janeiro, Recife, Salvador e São Paulo), os foliões estão torcendo para o vírus dar uma trégua até fevereiro, mas a chance de termos um Carnaval como o dos anos anteriores é cada vez mais remota.

Sem folia, a solução encontrada para muitas famílias é a procura por um lugar mais tranquilo, para aproveitar o feriado. Mas até mesmo essa decisão está sendo postergada mais para frente, pois ainda há o receio do fechamento da estrutura de turismo em algumas regiões caso a pandemia volte a piorar até fevereiro.

Mudança de planos

As incertezas quanto à evolução da pandemia (se o número de casos voltar a subir) e quanto ao calendário de vacinação tornam difícil a tarefa de planejar qualquer coisa com meses de antecedência. Pior ainda quando a política de cancelamento ou remarcação não dá tanta liberdade para mudar de ideia.

A maioria das operadoras de turismo tem seguido a regra de remarcação flexível, mas sem a possibilidade de estorno em caso de cancelamento. O cliente que desistir da viagem dentro do prazo estabelecido receberá apenas o valor em créditos para serem usados em outra data.

No caso do Airbnb e de plataformas de aluguel por temporada, a devolução do valor, em caso de cancelamento, varia. Alguns anfitriões permitem o cancelamento com 100% do reembolso se o aviso de desistência for dado até um determinado prazo. Já outros donos de imóveis podem oferecer apenas 50% de reembolso, caso a reserva seja cancelada a partir de 48 horas após a aprovação do pagamento.

Limpeza e segurança são primordiais

Mesmo quem tem fugido da quarentena para aproveitar as férias ou as folgas continua preocupado com os riscos de contaminação pelo coronavírus. As empresas relatam que os aspectos de limpeza ganharam ainda mais importância para os hóspedes brasileiros. O Airbnb, por exemplo, deu instruções a todos os proprietários cadastrados na plataforma sobre como higienizar os imóveis entre uma hospedagem e a outra.

“Além disso, em agosto, a plataforma reduziu a 16 o número máximo permitido de pessoas por acomodação, para evitar aglomerações e contribuir para estadias responsáveis. Recentemente lançamos orientações e boas práticas também para hóspedes, disponíveis no site, e com as quais eles devem se comprometer no momento da reserva. As recomendações incluem uso de máscaras e prática de distanciamento social por anfitriões e hóspedes ao interagirem”, diz o Airbnb em nota.

Os hotéis, embora tenham certa desvantagem por hospedarem um número maior de pessoas (afinal, não é todo mundo que está disposto a tomar café no mesmo ambiente de estranhos), têm protocolos mais estabelecidos para higiene dos ambientes.

Mas a percepção é de que o grau de confiança para viajar e se hospedar parece estar mais relacionado à situação da pandemia no país do que às precauções adotadas pelas empresas do setor de turismo. Isso porque, infelizmente, o vírus ainda está em circulação, e os riscos, menores ou maiores, continuam existindo.

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