Saem a Plaza de Mayo e a Casa Rosada, entram a Plaza de Armas e o Palácio de La Moneda. Na largada de 2020, Santiago desponta como o destino mais acessível para os brasileiros que escolhem a América do Sul para dar o primeiro passo rumo ao turismo internacional, segundo dados da plataforma Kayak.

De acordo com o levantamento, feito a pedido do 6 Minutos, passagens para conhecer a capital chilena são as mais baratas entre os principais destinos da região, tomando a liderança que pertencia à Buenos Aires. E o principal fator é o encarecimento dos bilhetes para a capital argentina, que subiram quase 143% em doze meses.

O Palácio de La Moneda, sede do governo do Chile em Santiago

O Palácio de La Moneda, sede do governo do Chile em Santiago
Crédito: Shutterstock

A pesquisa foi feita no dia 16 de janeiro programando viagens para junho, com voos de ida e volta na classe econômica a partir do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Com essa antecedência em 2019, era possível adquirir passagens por cerca de R$ 500, valor que chegou a mais de R$ 1,1 mil em 2020. Já para Santiago o custo das passagens teve uma ligeira queda, de 1,5%, permanecendo na casa dos R$ 860 para o meio deste ano.

Veja, abaixo, a oscilação de preços de alguns dos principais destinos da América do Sul e as razões para a inversão entre Buenos Aires e Santigo no topo do ranking de preços mais em conta. Todos os dados dizem respeito à plataforma Kayak e foram considerados nos mesmos dias e para as mesmas datas.

DestinoPreço médio (2019)Preço médio (2020)Oscilação
Santiago (Chile)R$ 872R$ 859-1,44%
Assunção (Paraguai)R$ 876R$ 1.095+25,00%
Buenos Aires (Argentina)R$ 463R$ 1.124+142,80%
Montevidéu (Uruguai)R$ 1.156R$ 1.269+9,70%
Lima (Peru)R$ 1.756R$ 1.635-6,90%
San Carlos de Bariloche (Argentina)R$ 1.674R$ 1.718+2,60%
Bogotá (Colômbia)R$ 2.387R$ 2.132-10,70%

Argentina: crise, fechamento de aeroporto e aviões impedidos de voar. Um dos principais fatores que explicam o encarecimento dos voos para Buenos Aires é a redução da oferta de passagens para o país.

Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em novembro de 2019 estavam à disposição do consumidor 17,0% menos passagens entre São Paulo e a capital da Argentina do que o registrado no mesmo mês de 2018. No acumulado do ano, entre janeiro e novembro, a oferta foi 8,5% menor.

O número menor de passagens à venda tem duas causas principais: o fim dos voos internacionais para o Aeroparque Jorge Newbery e as dificuldades da operação internacional da Gol por uma disponibilidade menor de aeronaves.

Localizado muito próximo à região central de Buenos Aires, o Aeroparque deixou de receber voos oriundos do Brasil por uma decisão do governo da Argentina, que determinou que o aeroporto passe a receber apenas voos domésticos e oriundos do Uruguai. Com isso, as partidas originadas em Guarulhos passaram a se direcionar apenas ao aeroporto de Ezeiza, que registrou uma alta modesta nos voos, incapaz de compensar o fim das viagens para o outro destino.

Já a companhia brasileira Gol vive uma novela desde março do ano passado, quando um acidente com um avião da Ethiopian Airlines levou à suspensão do uso do Boeing 737 MAX 8. As sete aeronaves do modelo eram utilizados pela empresa para viagens nacionais e internacionais. No acumulado de 2019 até novembro, a Gol havia reduzido a sua oferta para Buenos Aires em 11,7%, quase três vezes mais que a concorrente Latam (-4,1%).

Há ainda um fator conjuntural, com a crise econômica vivenciada pela Argentina no último ano, que a relação comercial com outros países, incluindo o Brasil. Segundo dados do Ministério da Economia, a corrente de comércio (soma de importações e exportações) entre os dois países caiu 21,9% em 2019, em comparação com o ano anterior. O resultado indica uma dificuldade maior de atração do turista a negócios, tornando mais desinteressante comercialmente a rota entre São Paulo e Buenos Aires.

No Chile, destaque para a Latam. Em agosto de 2010, as companhias aéreas TAM e LAN anunciaram um bilionário acordo de fusão das suas operações em uma nova empresa, que há três anos opera com a marca única de Latam Airlines.

De acordo com Alessandro Oliveira, do Nectar (Núcleo de Economia do Transporte Aéreo), o fato de uma das principais companhias brasileiras concentrar operações na capital chilena permite uma oferta maior de passagens para o destino e barateia as passagens.

“Santiago, pelo fato de ser o hub da Latam, se fortalece à medida em que a empresa ganha dominância no continente. A tendência é que se façam muitas conexões em Santiago e isso aumenta o volume de passagens para o local, reduzindo os custos unitários”, explica o pesquisador do núcleo, que integra o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica).

No saldo do ano, a oferta de passagens para a cidade caiu 4,7%, impactada pela saída do mercado da Avianca Brasil. No entanto, a análise feita desconsiderando a companhia registra uma alta de 10,8% nos assentos disponíveis, com um destaque especial justamente para a Latam. Os dados mostram que a empresa aumentou a sua oferta entre as duas cidades em 21,4% no mesmo período.

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