Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, celebrado como o maior jogador de futebol de todos os tempos, está completando 80 anos nesta sexta-feira, dia 23 de outubro. Único jogador a ser três vezes campeão da Copa do Mundo – em 1958, 1962 e 1970 –, ele é também o maior artilheiro de todos os tempos, com 1.283 gols feitos em 1.366 partidas.

Nascido em Três Corações (MG), Pelé cresceu em Bauru (SP) e foi jogar no Santos aos 15 anos, onde permaneceu por quase duas décadas e virou bicampeão mundial de clubes, em 1962 e 1963. Logo chegou à seleção brasileira – a tempo de participar, aos 17 anos, da campanha vitoriosa da Copa de 1958, a primeira vencida pelo país. Consolidou-se como “Rei do Futebol” ao comandar o time campeão mundial em 1970.

A etapa final da carreira incluiu uma passagem pelo Cosmos, nos Estados Unidos, que ajudou a divulgar o soccer no maior mercado consumidor do mundo. Pelé pendurou as chuteiras em 1977, mas continuou sempre sob os holofotes da mídia. Enveredou pela música, fez filmes, namorou beldades – como Xuxa – e foi ministro dos Esportes.

Apresento a seguir dez curiosidades que descobri ao produzir a biografia 1.283, sobre a trajetória de Pelé, projeto que incluiu entrevistas com ele e com colegas do Santos e da seleção, além de familiares e amigos.

1 – Fez-se a luz

Quando Pelé nasceu, em 1940, a energia elétrica havia acabado de chegar a Três Corações (MG). Ao escolher o nome do menino, o pai, Dondinho, decidiu fazer uma homenagem ao inventor Thomas Edison (1847-1931). O registro saiu sem o “i” original.

2 – Queria voar

O passeio predileto na infância era ir ao Aeroclube de Bauru, para ver os aviões e planadores. Seu grande sonho era se tornar aviador. Ele desistiu da ideia quando presenciou um acidente que resultou na morte do piloto. Depois, nos inúmeros voos que fez ao longo da carreira, ele adorava ficar observando as nuvens. “Nunca deixei de me encantar com as nuvens. Eu ficava pensando, desde muito cedo, se havia vida depois da morte ou se tudo acaba aqui mesmo.”

3 – Azar ou sorte?

Zaluar, o goleiro do Corinthians de Santo André que tomou o primeiro gol profissional de Pelé, no dia 7 de setembro de 1956, mudou de carreira algum tempo depois. Mandou fazer um cartão que o identificava como “corretor de imóveis e goleiro do primeiro gol de Pelé”.

4 – Feito para brilhar

Com 1,73m, Pelé alcançava quase 3m quando saltava, o que muitas vezes o levava a superar zagueiros e goleiros bem mais altos. Ele era também muito veloz: percorria 100 metros em 11 segundos. Tinha uma visão periférica acima da média. Mas a habilidade de chutar com as duas pernas não era um dom natural: resultou de muito treino, desde criança, quando ele ficava batendo bola contra a parede só com a canhota.

5 – Como músico, foi um ótimo jogador

A música entrou na vida de Pelé por influência inicial do pai, Dondinho, que tocava cavaquinho. Mas foi só mesmo nas concentrações do Santos que ele aprendeu a dedilhar o violão, ensinado por um colega de time, Tite. Pelé levou a sério a carreira paralela, com várias composições e parcerias – embora, digamos assim, seu talento musical nunca tenha sido reconhecido.

6 – A outra filha

Todo mundo lembra da tumultuada história de Sandra Regina, a filha que surgiu já adulta na vida de Pelé e precisou entrar na Justiça para ser reconhecida. Pouca gente sabe, no entanto, de outra situação semelhante: Flávia, fruta de um affair quando Pelé passou por Porto Alegre. Ela se apresentou ao completar 18 anos. Nesse caso, a relação foi tranquila.

7 – Racismo

“Enfrentar um estádio lotado na Argentina com a torcida toda gritando ‘macaco’ e mesmo assim ganhar dos caras lá dentro certamente tinha um peso muito maior do que qualquer discurso. Tudo o que eu fiz em relação ao racismo, eu fiz naturalmente, sendo eu mesmo.”

8 – Orgulho de filho

Pergunte a Pelé se há algum recorde que ele não bateu como jogador e ele responderá de bate-pronto: cinco gols de cabeça no mesmo jogo. O autor da façanha: o próprio pai, Dondinho, que nunca conseguiu se firmar em grandes clubes por conta das contusões nos joelhos. O recorde aconteceu em Itajubá (MG), numa partida não muito importante – a final do Campeonato Itajubense de Futebol Amador de 1939 –, mas esse é um detalhe irrelevante para o filho devoto.

9 – Sem malandragem

Quando Pelé falou sobre os pequenos truques que adotava em campo, como fingir que estava amarrando a chuteira nas cobranças de falta e de repente disparar para receber a bola do companheiro Pepe, comentei: “A malandragem sempre fez parte do futebol”. Ele ficou um tanto contrariado e retrucou: “Malandragem, não. Picardia”.

10 – O bordão é outro

O verdadeiro vício de linguagem típico de Pelé é “pra chuchu” – e não o famoso “entende?”, que não passa de um bordão reproduzido muito mais pelos comediantes que o imitam. Prova disso é que, durante as conversas para o livro, ele soltou “pra chuchu” 14 vezes e nenhuma vez o tal “entende?”.

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