A pandemia ensinou a todo mundo que dá para trabalhar de casa. A questão é saber se esse método de trabalho será mantido quando tudo voltar ao normal. Para Paulo Sardinha, presidente da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), chegaremos a um meio termo entre o home office total e o trabalho presencial.

“Vamos precisar chegar a um ponto de equilíbrio. Antes, éramos muito presenciais. Tínhamos capacidade para sermos mais virtuais, mas não acreditávamos nisso. A pandemia ensinou que podemos ser mais virtuais do que supúnhamos. Mas não podemos ser tão menos presenciais assim”, disse Sardinha.

Mas a produtividade não subiu com o home office? Por que não optar por esse modelo? Sardinha diz que não é verdade que todo mundo teve ganhos de produtividade com o teletrabalho. “A realidade é um pouco diferente. Algumas tiveram aumento de produtividade, enquanto outras não. O home office não é solução para tudo.”

Segundo Sardinha, é preciso considerar que uma coisa é o teletrabalho realizado em meio às restrições de circulação. “Agora, as pessoas estão em casa por obrigação. Mas a produtividade e a adesão ao teletrabalho podem mudar quando tudo estiver funcionando e as pessoas puderem sair para onde quiserem.”

E do que depende o retorno ao trabalho? O presidente da ABRH Brasil afirma que tanto funcionários quanto empresas precisarão fazer um grande pacto. “Todos viveram rupturas muito grandes. As pessoas tiveram rupturas de seus sonhos e as empresas de seus planos. O restabelecimento do trabalho vai exigir uma renegociação para seguir adiante.”

Segundo ele, esse pacto passa pelo esforço coletivo. “Não dá para sair sozinho da crise, precisamos sair em grupo. Nunca o coletivo fez tanta diferença.”

No caso do ambiente de trabalho, o esforço coletivo é que garantirá o cumprimento das regras de saúde e segurança no mundo pós-covid. “Não adianta a empresa ter um protocolo bem-feitinho de saúde e um funcionário não usar máscara e descumprir outras normas. Esse único funcionário, se for assintomático, pode colocar em risco os demais colegas”, afirma Sardinha.

O que a pandemia ensinou para os RHs das empresas? O presidente da ABRH Brasil diz que ficou evidente que as empresas têm de olhar mais para fora do que para dentro. “Questões como diversidade, sustentabilidade entraram no radar das empresas a partir de demandas da sociedade. É preciso olhar para a sociedade.”

E quais são os desafios para a volta ao normal? Segundo Sardinha, os maiores desafios da sociedade dizem respeito à educação, saúde e trabalho. “Temos uma defasagem de qualificação profissional muito alta. Se porventura tivermos uma recuperação rápida, teremos um déficit generalizado de mão de obra especializada.”

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