Nunca se discutiu tanto sobre o retorno das aulas presenciais no país. A polêmica se acirrou com a decisão do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, de permitir que retornem em outubro apenas as atividades extracurriculares nas escolas.

Apesar de o governador João Dória já ter liberado a reabertura das escolas, a palavra final compete a cada prefeitura. A volta às aulas regulares será decidida apenas em novembro, segundo Covas.

Para municiar esse debate, a consultoria Vozes da Educação fez um levantamento mostrando o que deu certo e o que deu errado em 20 países que já voltaram às aulas presenciais,

“Não pretendemos aqui dizer se as aulas devem ou não voltar; acreditamos que essa é uma decisão local, que envolve não apenas o estágio da curva e as medidas sanitárias, mas sobretudo, envolve um olhar para dentro de cada município, enxergando de peito aberto a sua própria realidade”, afirma a fundadora do Vozes da Educação, Carolina Campos.

Uma das aliadas do retorno satisfatório é a adesão da população. Segundo o estudo, “a adesão da opinião pública aumentou quando o governo convidou os sindicatos para participar da construção do plano de retomada (Itália e Uruguai) e a abertura gradual foi implementada com bons resultados (França e Dinamarca)”. Veja constatações do estudo:

Países com reabertura satisfatória

Estão nesse grupo países em que as escolas reabriram e não registraram contaminação entre alunos e professores que saísse do controle:

  • Alemanha
  • China
  • Dinamarca
  • França
  • Nova Zelândia
  • Portugal
  • Singapura

Países com reabertura insatisfatória

Países em que as escolas reabriram e registraram contaminação entre alunos e professores, forçando a reavaliação da abertura:

  • Israel e África do Sul

Cedo para avaliar

Países em que as escolas reabriram há menos de 30 dias e ainda não há dados sobre contaminação de alunos e professores:

  • Chile
  • Estados Unidos
  • Nigéria
  • Uruguai

Não se aplica

Países em que as escolas ainda não reabriram, cancelaram o ano letivo ou não fecharam:

  • Suécia
  • Bolívia (única país analisado com cancelamento do ano letivo)
  • Itália
  • Canadá
  • Argentina
  • Peru
  • Índia

O que os países que tiveram reabertura satisfatória têm em comum?

  • Ótima comunicação e transparência dos governos
  • Resistência da opinião pública se atenuou à medida que reabertura transcorria com êxito
  • Curva de contágio estável ou decrescente
  • Medidas sanitárias e distanciamento social implementados com bons resultados
  • Países com boas notas no Pisa
  • Outros pontos em comum

Abertura faseada – Outro ponto em comum entre os países com reabertura satisfatória foi o fato disso ter acontecido em fases. Na Dinamarca e França, por exemplo, a volta começou pelo ensino infantil. Na Nova Zelândia, pelo ensino básico. Outros países preferiram retornar pelo ensino médio, caso da Alemanha, China, Israel, Nigéria, Uruguai, Portugal.

Como foi a curva de contágio? O levantamento diz que alguns países apresentaram casos de Covid-19-19 nas escolas, mas de maneira controlada – caso da Alemanha e França. Em outros, houve um leve e controlado aumento da curva de casos depois da reabertura das escolas embora não se possa afirmar causalidade – caso de Portugal e Singapura.

“Nos países com abertura satisfatória, houve uma preocupação em acompanhar casos de COVID-19 nas escolas e instruir qual era o procedimento a ser tomado. Além disso, a testagem de professores e estudantes sintomáticos (Dinamarca, Alemanha) foi importante para conseguir analisar a evolução da doença em cada região/ unidade escolar e tomar melhores decisões.”

Que procedimentos foram esses? O isolamento de pessoas que apresentassem casos suspeitos, mapeamento de quem teve contato ou até mesmo fechamento de escolas em casos de surtos.

O que aconteceu nos países com reabertura insatisfatória?

Israel: por conta de falha nas medidas sanitárias e na comunicação entre Governo e escolas, houve um surto de novos casos. 977 professores e alunos foram infectados, e cerca de 22.520 professores e alunos foram colocados em quarentena. Para controlar o aumento dos casos, foram fechadas mais de 240 escolas.

África do Sul: 773 escolas que apresentaram casos de COVID fecharam novamente (cerca de 3% do total). Foram infectados 1169 professores e 523 alunos (cerca de 69% e 31% do total, respectivamente). Depois disso, o governo decretou recesso para todas as escolas, com retorno em 24/08.

Sala de aula vazia de escola municipal que atende cerca de 500 crianças no ensino infantil e fundamental. 
Crédito: Foto: DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

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